O ministro das Relações Exteriores, Téte António, em representação do Presidente João Lourenço, participou, esta Segunda-feira, em Durban (África do Sul) na 46.ª Cimeira Ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Além da participação na cimeira, a agenda do ministro naquele país africano foi ainda marcada pela deposição de uma coroa de flores junto da estatuto do Presidente Oliver Tambo.
Segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores a que o VerAngola teve acesso, o encontro teve lugar no Centro Internacional de Convenções de Durban, subordinado ao lema "Industrialização resiliente, sustentável e inclusiva através do desenvolvimento de infra-estruturas e da transformação da agricultura e dos minerais críticos em busca de um mundo justo", cujo tema "coloca no centro das discussões regionais os desafios e as oportunidades associados à industrialização, às infra-estruturas, à agricultura e à exploração sustentável dos recursos minerais críticos".
"A sessão de abertura foi marcada pelo discurso de boas-vindas de Elias Mpedi Magosi, secretário executivo da SADC, a que se seguiram as intervenções de Matamela Cyril Ramaphosa, Presidente da República da África do Sul e Presidente em exercício da SADC; Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da União Africana, por videoconferência; Claver Gatete, secretário executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África; e Emmerson Dambudzo Mnangagwa, Presidente da República do Zimbabué e Presidente cessante da SADC", pode ler-se no comunicado.
A nota da tutela refere ainda que "a participação de Angola na cimeira reafirma o seu compromisso com o aprofundamento da integração e da cooperação regional, bem como com a promoção de soluções conjuntas para os principais desafios que afectam a África Austral".
Além da participação nesta cimeira, em Durban, a agenda de Téte António também contou com um momento de homenagem ao Presidente Oliver Tambo.
Também em Durban, o titular da pasta das Relações Exteriores participou na "cerimónia de deposição de coroas de flores junto à estátua do Presidente Oliver Tambo, em homenagem ao seu contributo para a libertação da áfrica do Sul e pela justiça social".
Segundo outro comunicado do Ministério das Relações Exteriores a que o VerAngola teve acesso, a homenagem, que ocorreu à margem do programa da referida cimeira, também "contou com a participação dos Presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, do Madagáscar, Coronel Michael Randrianirina e das Seicheles, Patrick Hermine e de representantes dos diversos países que compõem a organização regional".
Já na 46.ª cimeira, o tema da imigração também esteve em discussão. Na ocasião, o Presidente sul-africano pediu, na Segunda-feira, aos líderes dos países da África Austral que "trabalhem juntos" para enfrentar "o desafio da migração", após a recente onda de xenofobia e protestos anti-imigração na África do Sul.
"Expressamos o nosso pesar pelo ocorrido no nosso país. Manifestamos o nosso desejo de que todos trabalhemos juntos para enfrentar o desafio da migração", declarou o chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, perante os homólogos da região, sublinhado que "nesta cimeira, a África do Sul aproveitou a oportunidade para relatar de forma honesta e transparente aos demais Estados-membros a complexidade do desafio migratório".
Os líderes do bloco abordaram a questão da imigração durante a 46.ª Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Ramaphosa explicou que a África do Sul expressou gratidão pela "solidariedade e compreensão" demonstradas pelos outros 15 membros do bloco, incluindo Angola e Moçambique, ao mesmo tempo que destacou "as dificuldades" que o país está a enfrentar.
"Enfatizamos a necessidade de união e coesão para lidar com a migração, reconhecendo que não se trata de uma questão fácil, mas sim que exige soluções colectivas", concluiu.
Na declaração divulgada no final da cimeira, os líderes da SADC também mencionaram brevemente esta questão, embora não tenham confirmado nenhuma medida concreta.
"A cimeira recebeu uma actualização da República da África do Sul sobre a governança da migração e pediu um diálogo coordenado e multidimensional em nível regional para abordar as causas subjacentes da migração e desenvolver respostas abrangentes, sustentáveis e eficazes", afirmou a organização num comunicado.
O encontro ocorreu enquanto também estava em curso uma mobilização em Durban, organizada pelo grupo sul-africano anti-imigração March and March, uma das principais forças por trás das marchas organizadas nos últimos meses.
Os organizadores culpam os migrantes pelos problemas económicos da África do Sul, pelos serviços públicos precários e pelos altos índices de criminalidade, chegando a impedi-los de aceder aos serviços médicos e à educação em instalações públicas.
Assim, a tensão só aumentou no país, com uma onda de ataques xenófobos e protestos inicialmente dirigidos contra a imigração ilegal, mas que resultaram, em muitos casos, em violência indiscriminada contra migrantes africanos.
A crise levou países como Maláui, Gana, Nigéria, Zimbábue, Quénia, Uganda e Moçambique a repatriar dezenas de milhares dos seus cidadãos nas últimas semanas.
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e levaram a ondas de violência em diversas ocasiões nos últimos anos, causando dezenas de mortes, especialmente nos bairros mais vulneráveis.




