Analistas divergem sobre papel do activismo na mobilização para registo eleitoral

Os juristas e analistas políticos António Cahebo e Manuel Cangundo apresentaram visões divergentes este domingo, 5, sobre o papel do activismo na mobilização dos cidadãos para o registo eleitoral em Angola, num debate centrado nos limites da actuação dos movimentos cívicos no espaço público.
António Cahebo defendeu durante o programa Círculo da Kianda, que o activismo deve manter-se fiel às causas que justificam a sua existência, sublinhando que movimentos criados para pressionar o Governo em áreas específicas não devem desviar-se para agendas de natureza partidária ou de disputa pelo poder político.
Na sua perspetiva, campanhas que incentivam o registo eleitoral com o objetivo explícito de promover a alternância de poder acabam por distorcer a função original do activismo cívico, que deve concentrar-se na fiscalização das políticas públicas e na defesa de causas concretas.
O analista alertou ainda para a necessidade de maior formação política de alguns ativistas, defendendo que determinados discursos podem contribuir para a polarização do debate público e para interpretações erradas do papel da sociedade civil.
Em sentido oposto, Manuel Cangundo sustentou que a Constituição garante a todos os cidadãos o direito à liberdade de pensamento e de expressão, incluindo a possibilidade de manifestar preferências políticas e incentivar a participação no processo eleitoral.
Para o jurista, o apelo ao registo eleitoral ou à mudança de liderança política não constitui, por si só, uma violação da lei, desde que seja feito dentro dos limites constitucionais. Ainda assim, defendeu a importância de distinguir manifestações individuais da actuação organizada de movimentos cívicos.


