Os analistas do programa Círculo da Kianda, da Rádio Correio da Kianda, consideram que os acontecimentos configuram um episódio de intolerância política, mas apresentam leituras diferentes sobre as responsabilidades. O politólogo Victorino Mbuta condena a actuação das forças de segurança, mas entende que a UNITA está também a aproveitar politicamente a situação, sobretudo ao responsabilizar as autoridades pelo fracasso da actividade.
Já o analista Higino Pinto considera que os principais responsáveis devem ser chamados a responder pelos acontecimentos. Na sua leitura, as imagens disponíveis evidenciam excessos na actuação policial, defendendo, por isso, a responsabilização política e judicial do governador do Uíge e do comandante provincial da Polícia.
O académico Luís Victor também critica a actuação das forças de segurança e alerta para a necessidade de uma postura republicana das autoridades. Segundo o analista, episódios semelhantes têm ocorrido durante actividades da oposição, situação que pode agravar a tensão política e dificultar a criação de um ambiente favorável às eleições gerais de 2027.
Entretanto, o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, afirmou que o partido comunicou à Presidência da República os comportamentos que considera preocupantes e aguarda respostas das autoridades. O líder da oposição disse ainda que a UNITA procurou evitar confrontos e orientou os seus militantes e simpatizantes a não se dirigirem ao local inicialmente previsto para o comício, alegando preocupação com a segurança dos cidadãos.
Os acontecimentos no Uíge colocam novamente em debate a liberdade de realização de actividades políticas, a actuação das forças de segurança e a responsabilidade dos partidos na prevenção de confrontos.
Com as eleições gerais de 2027 no horizonte, os analistas defendem que é necessário reforçar o diálogo entre as forças políticas e garantir uma actuação imparcial das instituições, de modo a evitar que episódios de violência voltem a marcar o ambiente político nacional.




