Nova Iorque (Do enviado especial) – Angola apelou, sexta-feira, em Nova Iorque, ao reforço de um sistema multilateral mais inclusivo, representativo e eficaz, capaz de responder às prioridades e aspirações dos países em desenvolvimento.
Nova Iorque (Do enviado especial) – Angola apelou, sexta-feira, em Nova Iorque, ao reforço de um sistema multilateral mais inclusivo, representativo e eficaz, capaz de responder às prioridades e aspirações dos países em desenvolvimento.
A posição foi expressa pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, na Reunião Anual dos Ministros das Relações Exteriores do Grupo dos 77 e China, realizada na sede das Nações Unidas, sob o tema “O Sul Global e o Futuro do Multilateralismo”.
Na sua intervenção, Téte António assinalou que o actual contexto internacional, marcado por tensões geopolíticas, desigualdades persistentes, vulnerabilidades associadas à dívida, alterações climáticas e disparidades no acesso à tecnologia, ao financiamento e aos mercados, exige uma acção concertada e maior solidariedade internacional.
O ministro sublinhou que, para Angola, o multilateralismo continua a ser indispensável, mas a sua legitimidade deve assentar na participação efectiva de todos os Estados e a sua credibilidade na capacidade de transformar os compromissos internacionais em resultados concretos para os povos.
Neste sentido, defendeu uma governação económica e financeira internacional mais representativa, com maior participação dos países em desenvolvimento nos processos de tomada de decisão, bem como o reforço dos meios de implementação da Agenda de Desenvolvimento.
Entre esses meios, apontou a necessidade de financiamento adequado e previsível, transferência de tecnologia, desenvolvimento de capacidades e acesso mais equitativo aos mercados internacionais.
Téte António destacou igualmente o papel do Grupo dos 77 e China na articulação das posições dos países em desenvolvimento, considerando que a unidade e a solidariedade do Grupo permitem transformar preocupações comuns em posições coordenadas e propostas concretas no quadro do sistema multilateral.
Reiterou a importância do reforço da cooperação Sul-Sul enquanto complemento da cooperação Norte-Sul e dos compromissos assumidos pelos países desenvolvidos em matéria de cooperação internacional para o desenvolvimento.
Candidatura de Josefa Sacko
Durante a reunião, o ministro das Relações Exteriores aproveitou a ocasião para apresentar aos Estados-Membros do Grupo dos 77 e China a candidatura da embaixadora Josefa Leonel Correia Sacko ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), para o mandato 2027–2031.
A candidatura angolana conta com o endosso da União Africana e insere-se no esforço de promoção de uma maior representação dos países em desenvolvimento nos órgãos de liderança das instituições multilaterais.
Téte António destacou a experiência da candidata nos domínios da agricultura, segurança alimentar, desenvolvimento rural, alterações climáticas e cooperação multilateral, convidando os Estados-Membros do Grupo a conhecerem a sua visão e prioridades para o futuro da FAO.
Num contexto em que a segurança alimentar, a transformação dos sistemas agro-alimentares, a resiliência climática e o desenvolvimento sustentável ocupam um lugar central na agenda internacional, Angola apresentou a candidatura num espírito de diálogo, solidariedade e cooperação com os países do Sul Global.
O ministro das Relações Exteriores agradeceu a consideração dos parceiros do Grupo dos 77 e China e solicitou o seu apoio à candidatura da embaixadora Josefa Sacko.SR/ART




