Angola defende reforço da unidade entre os Estados

Luanda - O representante de Angola junto da União Africana (UA) e da Comissão Económica das Nações Unidas para África, Miguel Bembe, defendeu segunda-feira, em Addis Abeba, Etiópia, o reforço contínuo da unidade e coesão entre os Estados-membros.
Segundo o diplomata angolano, uma União Africana forte deve assentar em posições comuns e, sempre que necessário, em tomada de decisões e operacionalização de acções audaciosas ou inovadoras, face às grandes questões internacionais.
Ao intervir na 51ª Sessão Ordinária do Comité dos Representantes Permanentes (CRP) da União Africana, do qual é presidente em exercício, Miguel Bembe sublinhou que, num mundo marcado por mudanças rápidas e tensões crescentes, tal como se assiste, com incredulidade, nos últimos tempos, a voz colectiva e unida na diversidade deve ressoar com clareza e firmeza, reafirmando, assim, o papel e o lugar de África como um dos actores incontornáveis no sistema internacional.
Miguel Bembe disse que “nenhum país, nenhuma região do mundo, ninguém, mas absolutamente ninguém, pode viver em isolamento”, segundo uma nota da embaixada angolana na Etiópia.
Afirmou que as relações internacionais ensinam que, neste mundo globalizado e interdependente, Nação alguma consegue, por si só, enfrentar os grandes desafios contemporâneos transnacionais, sejam eles de carácter social, económico, ambiental ou político.
Indicou que os desafios acima exigem uma abordagem multidisciplinar e colaborativa para serem superados.
Parcerias conducentes à estabilidade e prosperidade
Face à interdependência complexa e à multipolaridade, Miguel Bembe referiu que todos os actores, mesmo os mais modestos, incluindo os não-estatais, formais e não-formais, são chamados a contribuir para a busca de soluções concertadas e a construção de parcerias que reforcem a estabilidade, a integração e a prosperidade comum à escala mundial, valorizando o multilateralismo.
O diplomata angolano lamentou a persistência dos conflitos armados, o terrorismo e o extremismo violento, mas, também, as outras ameaças transnacionais híbridas, que envolvem uma combinação de actividades coercivas e subversivas, utilizando métodos convencionais e não convencionais (desinformação, ciberataques e manipulação económica), para comprometer a segurança dos países africanos e as respectivas instituições.
Este fenómeno, alertou, é um verdadeiro desafio à defesa nacional e à estabilidade política, que tende a ser posta em causa pela exploração das vulnerabilidades estruturais que resultam, sobretudo, do défice da governação pública, perante as populações, em particular a juventude africana, cada vez mais conectada e ávida de mudanças.
Comportamentos hegemónicos
Miguel Bembe falou também da tendência preocupante para o regresso de comportamentos hegemónicos e unilaterais, que fragilizam o equilíbrio mundial, ameaçam a soberania das nações e desvalorizam os princípios do multilateralismo, em contradição com os compromissos assumidos no “Pacto para o Futuro”.
"Esta realidade geopolítica impõe que África reforce a sua posição comum e inequívoca, que não deixe margem para dúvidas ou interpretações ambíguas, contra qualquer forma de interferência externa nos assuntos do continente", frisou.
À margem da Sessão Ordinária do Comité dos Representantes Permanentes da União Africana, indica o documento, o embaixador foi recebido em audiência pelo presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, com quem abordou várias questões de interesse estratégico da agenda da organização continental.


