Os avanços de Angola na conservação ambiental estão a ser destacados pela ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho, durante a Cimeira de Líderes sobre a Biodiversidade.
O evento decorre até à próxima sexta-feira (30) em Erevan, na Armênia, no quadro da 17.ª Conferência das Partes (COP 17) da Convenção sobre a Diversidade Biológica.
Como evidência desse progresso, a governante apontou a expansão das áreas protegidas no país, destacando o aumento de seis para nove parques nacionais registado desde 2011, e o salto mais recente no número total de áreas de conservação, que passou de 12 para 16.“Estes resultados demonstram que a conservação pode avançar quando existe vontade política, cooperação institucional, conhecimento científico e participação dos parceiros”, afirmou a ministra.
Planeamento Estratégico e a Palanca Negra Gigante
Outro marco relevante apresentado foi o Plano Nacional para a Biodiversidade de Angola (PLANABIO). Aprovado pelo Conselho de Ministros, o documento servirá de guia até 2030 para integrar a protecção ambiental de forma transversal nas políticas públicas e nos diferentes sectores de desenvolvimento económico.
No plano prático da fauna nacional, a ministra celebrou a recuperação da Palanca Negra Gigante, espécie endémica angolana que esteve à beira da extinção. Actualmente, os registos oficiais apontam para a existência de cerca de 430 espécimes, distribuídos entre a Reserva Integral do Luando (230 animais) e o Parque Nacional de Cangandala (200), na província de Malanje.
Apesar dos sucessos, Ana Paula de Carvalho alertou que o crescimento populacional de certas espécies e a reactivação de corredores migratórios, especialmente de elefantes, trazem novos desafios, como o aumento de conflitos entre comunidades locais e animais selvagens, o que coloca em risco a segurança e a subsistência das populações.
Para responder a estes desafios, que ultrapassam os limites territoriais, o Executivo angolano reforçou as suas parcerias internacionais por meio de iniciativas de conservação transfronteiriça.
Entre os projectos activos de destaque estão o Okavango-Zambeze, o Iona-Skeleton e o Maiombe.
“A natureza não conhece fronteiras administrativas”, concluiu a governante, defendendo a conciliação entre a protecção ecológica e o bem-estar social.
A ministra do Ambiente reconheceu que, apesar dos avanços, o país continua a enfrentar grandes desafios estruturais. Entre os principais problemas, apontou a desflorestação, a degradação dos ecossistemas, as queimadas descontroladas, a caça furtiva, a exploração ilegal de madeira e de outros recursos naturais, além da pesca não regulamentada, da ocupação desordenada do território e da poluição.
Segundo Ana Paula de Carvalho, as alterações climáticas acrescentam uma nova e complexa dimensão a este cenário. A governante citou o impacto severo de fenómenos como as secas prolongadas e o aumento das temperaturas globais sobre os ecossistemas nacionais, particularmente nas regiões Sul e nas zonas semiáridas do país.
Por outro lado, a experiência de Angola demonstra que a paz e a conservação da natureza estão profundamente interligadas. “A paz criou as condições para re-construirmos não apenas as nossas cidades, estradas e infra-estruturas, mas também a nossa relação com a natureza”, sublinhou.
Actualmente, o investimento na restauração de habitats degradados, na protecção dos ecossistemas florestais, costeiros e de zonas húmidas — incluindo programas específicos de reflorestamento de mangais — prova que a recuperação ecológica pode caminhar lado a lado com o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.
“Angola vai continuar a melhorar as infra-estruturas e a capacidade técnica das áreas de conservação, mas o desafio é assegurar que estas tenham capacidade efectiva de gestão e contribuam para a conectividade dos ecossistemas e a protecção das espécies”, frisou.
A ministra recordou, ainda, que antes dos grandes processos de transformação económica e social das últimas décadas, Angola apresentava extensas áreas de ecossistemas naturais relativamente pouco fragmentados, desde as florestas húmidas do Norte às savanas e matas do Centro e Sul, passando pelas zonas húmidas, rios e áreas costeiras e marinhas.




