Os Presidentes de Angola e do Botsuana afirmaram esta Terça-feira a determinação em unir esforços na luta contra a ameaça do diamante sintético ao natural, uma das bases da riqueza dos dois países.
Assumidos como os maiores produtores de África e dos maiores do mundo de diamantes, ambos apontaram esta como uma das prioridades da cooperação bilateral, o motivo de uma visita de Estado de três dias a Angola do Presidente do Botsuana, Duma Gideon Boko.
Na declaração conjunta, os dois chefes de Estado sublinharam o trabalho conjunto na indústria dos diamantes.
O Presidente João Lourenço, frisou que “Angola e Botsuana são os maiores produtores do continente e alguns dos maiores produtores mundiais de diamante natural, “do verdadeiro diamante”, como disse o chefe de Estado do Botsuana.
“Mas essa indústria, que nos traz bastantes receitas, vem sendo ameaçada pelo surgimento repentino do chamado diamante sintético, que é um diamante feito em laboratório, não vem da natureza”, disse João Lourenço.
“É mais barato e, por ser mais barato, a procura desse sintético acaba por ser tão grande que ameaça seriamente a comercialização do nosso diamante”, acrescentou, sendo a China o maior produtor mundial de diamantes sintéticos.
“Vamos trabalhar de mãos dadas para procurarmos continuar a valorizar o nosso diamante, uma vez que ele dá emprego ao nosso povo, aos nossos jovens e traz receitas para serem investidas em programa sociais, na saúde, educação, nas infraestruturas, de forma que possamos desenvolver os nossos países”, declarou.
Duma Gideon Boko indicou que o Botsuana “está focado numa robusta campanha de marketing” para mostrar que o que oferecem “é algo valioso”.
No posicionamento no mercado mundial, Angola reitera o interesse em passar a ser accionista da The Beers, a companhia britânica da área da mineração e comércio de diamantes.
“Estamos a trabalhar com todas as partes interessadas, nomeadamente com o Botsuana, que já é accionista. Quaisquer entendimentos a que cheguemos com o Bostuana vai facilitar a que Angola atinja o objectivo de ter uma cota (...) expressiva no capital da The Beers”, referiu João Lourenço.
Esta será uma forma de “controlar melhor não só a produção como a comercialização do diamante natural”, acrescentou.
O Presidente do Botsuana assegurou o empenho do país no apoio a Angola, mas afirmou que as negociações para adesão à The Beers são “sensíveis e delicadas" e que, na altura certa, serão anunciados desenvolvimentos.
Duma Gideon Boko manifestou o interesse do país passar a ser accionista do grande projecto da refinaria do Lobito, ao que o homólogo respondeu que “a entrada vai acontecer quando o Botsuana quiser, a qualquer momento”.
O encontro serviu para assinar dois acordos de cooperação e um memorando de entendimento, preparados por delegações ministeriais em prévias reuniões. Trata-se de cooperação nos domínios da defesa, dos petróleos e energia e da pecuária.
O Botsuana é dos principais produtores e exportadores de carne bovina, uma posição que interessa a Angola, como referiu João Lourenço, que apontou também à cooperação bilateral “no domínio do turismo de conservação, no quadro do grande projecto transnacional denominado CASA, que abarca vários países”, como Angola, Namíbia, Botsuana, Zâmbia e o Zimbabué.
Ainda em Angola, Boko participa no Fórum Económico Empresarial Angola-Botsuana, com representantes dos sectores público e privado dos dois países, para identificar novas oportunidades de investimento, parcerias empresariais e expansão das relações comerciais bilaterais.
Na Quarta-feira, Boko desloca-se à província de Benguela, onde visitará a Refinaria do Lobito.
No quadro político diplomático, os dois países partilham posições convergentes em matérias relacionadas com a paz, segurança e estabilidade na África Austral, em particular no âmbito da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), organização regional de que ambos fazem parte.




