Luanda – Angola e o Botswana reafirmaram a intenção de reforçar a cooperação no domínio da Defesa, com destaque para a formação militar, exercícios conjuntos, intercâmbio, diálogo estratégico, partilha de experiências operacionais e desenvolvimento das indústrias de defesa.
Luanda – Angola e o Botswana reafirmaram a intenção de reforçar a cooperação no domínio da Defesa, com destaque para a formação militar, exercícios conjuntos, intercâmbio, diálogo estratégico, partilha de experiências operacionais e desenvolvimento das indústrias de defesa.
Este posicionamento foi referido, esta quinta-feira, em Luanda, pelo ministro da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Lúcio do Amaral, durante um encontro com o ministro de Estado para a Defesa e Segurança do Botswana, Moeti Mohwasa, que realiza uma visita oficial a Angola.
Ao intervir na reunião bilateral, Lúcio do Amaral salientou que a assinatura, a 8 de Setembro, do Acordo de Cooperação no domínio da Defesa entre os dois países representa a passagem do compromisso político para resultados concretos e efectivos, reflectindo a vontade dos dois governos de consolidarem uma parceria duradoura.
O governante manifestou o desejo de que a execução do acordo seja imediata, cumprindo-se as etapas previstas para a sua entrada em vigor.
Segundo o ministro, o instrumento vai permitir estreitar a colaboração no ensino superior, na formação militar, nos exercícios conjuntos, nos programas de intercâmbio, no diálogo estratégico e na partilha de experiências operacionais.
Acrescentou que Angola pretende alargar a cooperação a áreas como saúde militar, engenharia militar, cartografia, hidrografia e cooperação entre os estabelecimentos de ensino militar dos dois países.
Lúcio do Amaral destacou igualmente a possibilidade de colaboração no desenvolvimento das indústrias de defesa e dos serviços de apoio, sobretudo nos domínios da manutenção de equipamentos, logística, formação técnica especializada e tecnologia de defesa.
Para o ministro, esta cooperação poderá contribuir para o reforço da segurança nacional, a qualificação de quadros, a transferência de tecnologia e o crescimento económico.
Segurança regional
O ministro da Defesa Nacional sublinhou que, apesar de Angola e Botswana não partilharem uma fronteira terrestre comum, a realidade geográfica da África Austral impõe uma interdependência efectiva entre os dois países.
Neste contexto, defendeu maior articulação entre as agências de segurança, através da partilha de informação, investigações coordenadas e planeamento operacional conjunto, tendo em conta a crescente actuação de redes criminosas transnacionais.
Considerou igualmente que a operacionalização do Corredor do Lobito e o aprofundamento das ligações regionais tornam ainda mais necessária essa cooperação.
Entre os domínios prioritários identificados pelos dois países apontou a criminalidade organizada transnacional, o terrorismo e as ameaças à segurança cibernética, além do tráfico de seres humanos e de drogas, comércio ilícito e exploração ilegal de recursos naturais.
Lúcio do Amaral manifestou, igualmente, a disponibilidade de Angola para colaborar com o Botswana no combate ao furto de gado na região Norte daquele país, face à possível ligação do fenómeno a redes criminosas organizadas de dimensão transnacional.
Botswana quer reforçar cooperação
No final do encontro bilateral, o ministro de Estado para a Defesa e Segurança Junto da Presidência da República do Botswana, Moeti Mohwasa, destacou a assinatura do Acordo de Cooperação no domínio da Defesa como um marco para o aprofundamento das relações entre os dois países.
Considerou que a cooperação se encontra numa fase embrionária, uma vez que o acordo acaba de ser assinado, pelo que existe ainda “muito caminho pela frente”, incluindo a operacionalização do Comité Conjunto de Defesa.
O ministro de Estado sublinhou que o Botswana reconhece a experiência de Angola no domínio da Defesa, tendo em conta os períodos de conflito armado vividos pelo país, considerando que as autoridades e o povo tswanês têm muito a aprender com a experiência angolana em matéria de Defesa e Segurança.
Barreira linguística
O governante destacou igualmente a necessidade de ultrapassar a barreira linguística entre os dois países, tendo em conta que o Botswana tem o inglês como língua oficial e Angola o português.
Neste sentido, explicou que está previsto um intercâmbio linguístico entre os militares das duas Forças Armadas, com militares do Botswana a deslocarem-se a Angola para aprender português e militares angolanos a frequentarem formação de inglês neste país.
Outra área de interesse é a indústria militar, que o Botswana considera um sector com potencial para ser desenvolvido conjuntamente com Angola.
Segundo o governante, a cooperação neste domínio poderá permitir aos dois países desenvolverem capacidades próprias e, simultaneamente, para a criação de empregos para as respectivas populações.
O ministro de Estado manifestou-se igualmente satisfeito por estar em Angola, destacando a “energia positiva” transmitida pelo ministro da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Lúcio do Amaral.
As relações diplomáticas entre Angola e Botswana foram estabelecidas em 1976 e têm sido marcadas pela cooperação e solidariedade entre os dois países. LDN/SC




