Os Governos de Angola e dos Estados Unidos da América (EUA) reforçaram, quarta-feira, em Luanda, a cooperação bilateral no domínio da Defesa, com foco na promoção da paz e estabilidade regional, bem como na identificação de novas áreas de colaboração.
A intenção foi formalizada no âmbito da realização da 2.ª Reunião do Comité Conjunto de Cooperação em Defesa Angola-Estados Unidos (DEFCOM), sendo a parte angolana representada pelo secretário de Estado para a Indústria Militar, Afonso Carlos Neto, e a norte-americana pelo secretário-adjunto da Defesa para os Assuntos de Segurança Internacional, Daniel Zimmerman. O encontro consolida-se como o principal mecanismo de diálogo estratégico entre Angola e os Estados Unidos no sector da Defesa e Segurança, servindo para impulsionar a cooperação bilateral. Durante o evento, o secretário de Estado para a Indústria Militar, Afonso Carlos Neto, manifestou o interesse do país em expandir esta parceria, integrando de forma activa instituições públicas, universidades, centros de investigação e empresas privadas do ramo da indústria de Defesa. Além da aquisição de equipamentos, apontou que o Governo angolano pretende desenvolver também competências nacionais, promover a transferência de tecnologia, estimular a investigação científica, incentivar a produção local, assim como estabelecer parcerias industriais sustentáveis. “Acreditamos que uma indústria de Defesa sólida representa simultaneamente um instrumento de soberania nacional, um factor de diversificação económica e uma oportunidade de geração de emprego altamente qualificada”, sublinhou. Afonso Carlos Neto afirmou, igualmente, que Angola defende o princípio de que a segurança deve ser compreendida de forma integrada. Nesta visão, a diplomacia, a defesa, o desenvolvimento económico e a cooperação internacional actuam de maneira complementar para garantir a estabilidade. Sob esta premissa, sublinhou, os Estados conseguem desenvolver respostas cada vez mais coordenadas face à actual conjuntura global. Entre as principais ameaças, o governante destacou a competição geopolítica, as instabilidades regionais, o terrorismo internacional, o crime organizado transnacional, os ciberataques e o impacto das alterações climáticas na segurança das nações. Neste cenário, o secretário de Estado reafirmou o compromisso de Angola com a paz e a estabilidade na África Austral, na África Central e no Golfo da Guiné, através de acções concretas na prevenção de conflitos, mediação política, segurança marítima e combate a ilícitos. “O Executivo angolano prossegue com a modernização das Forças Armadas Angolanas (FAA), visando a eficiência tecnológica, logística e operacional para responder aos desafios do século XXI”, avançou. Esta transformação, concluiu, assenta na valorização do capital humano, na inovação, digitalização, interoperabilidade entre os ramos das FAA e no desenvolvimento gradual da Base Industrial de Defesa. Apoio à modernização das forças angolanasA encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Angola, Shannon Cazeau, garantiu que o seu país apoia formalmente a modernização das FAA através do fornecimento de equipamentos compatíveis com os padrões da OTAN. Nesse sentido, a diplomata revelou que Washington trabalha em estreita parceria com líderes da indústria de defesa norte-americana, como a Oshkosh Defense, a GM Defense e a Bell/Textron, com o objectivo de disponibilizar material militar de alta qualidade e tecnologia avançada às Forças Armadas Angolanas. “Estamos orgulhosos do fortalecimento das nossas relações militares, formalizadas através da histórica admissão de um cadete angolano na Academia da Força Aérea dos Estados Unidos, e da criação do novo Programa de Parceria Estatal com a Guarda Nacional do Ohio”, enfatizou Shannon Cazeau.




