Angola está mais quente desde 1951, com 1,4 graus Celsius, situação que evidencia a crescente vulnerabilidade do país aos impactos das alterações climáticas.
A informação foi prestada pelo secretário de Estado do Ambiente, Iury Santos, esta segunda-feira, 21 de Outubro, em Luanda, durante a apresentação do programa da 4.ª edição da Bienal de Luanda - Fórum Panafricano para a Cultura de Paz e Não Violência.
Iury Santos fez menção às alterações nos padrões do clima e da temperatura que já produzem impactos visíveis no país, com destaque para a seca extrema no Sul de Angola e as chuvas intensas, sobretudo no litoral, afectando a economia e, de forma particular, as comunidades mais vulneráveis.
O secretário de Estado deu a conhecer que os efeitos das alterações climáticas refletem-se igualmente na agricultura e na criação animal.
No quadro da 4.ª edição da Bienal de Luanda, o responsável anunciou a participação de Angola num dos painéis de discussão, onde serão apresentados os principais desafios climáticos que afectam o país, bem como os compromissos e as medidas adoptadas pelo Executivo.
Entre as iniciativas em curso, destacou a Estratégia Nacional das Alterações Climáticas, estruturada em cinco pilares, com acções de mitigação e adaptação aos efeitos das alterações climáticas.
No domínio da mitigação, apontou a expansão das áreas de conservação e a protecção dos ecossistemas, destacando a importância da Torre de Água do Planalto Central, consideradas uma importante fonte de água com impacto a nível regional.
No domínio da adaptação, o responsável fez referência ao Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola, iniciativa destinada a responder aos impactos da escassez de água e da seca nas comunidades daquela região.
O secretário de Estado defendeu a necessidade de os países africanos actuarem de forma concertada nas negociações internacionais sobre o clima, de modo a reforçar a sua capacidade de influência nas decisões que afectam o continente.
“Esperamos que África se una numa só voz, para que possamos elevar a nossa participação nas decisões internacionais”, afirmou e acrescentou que, apesar da participação dos países africanos nas Conferências das Partes (COP), os resultados obtidos ainda ficam aquém das necessidades do continente.
O responsável considerou um paradoxo climático a reduzida contribuição de África para as emissões globais de gases com efeito de estufa e os elevados impactos que o continente enfrenta.
“Nós contribuímos menos de quatro por cento para as emissões de gases de efeito de estufa e somos os que mais sofremos”, realçou.
Neste contexto, defendeu a necessidade de se reforçar a justiça climática, para que as políticas possam efectivamente se reflectir na melhoria da qualidade de vida dos africanos.
A 4.ª edição da Bienal de Luanda, a ter lugar de 22 a 23 de Outubro, no Palácio de Convenções de Luanda, decorrerá sob o lema “Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos”.



