Angola prepara-se para assinalar 50 anos de presença nas Nações Unidas com uma trajectória diplomática marcada, segundo o Executivo, pelo compromisso com a paz, o diálogo entre os Estados e a resolução pacífica de conflitos.
A integração de Angola como membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas ocorreu a 1 de Dezembro de 1976, num contexto internacional marcado pela Guerra Fria e pelos processos de descolonização em África. Desde então, o país passou a participar nos principais debates multilaterais sobre paz, segurança, cooperação e desenvolvimento.
Em entrevista à Angop, o ministro das Relações Exteriores, Teté António, afirmou que, ao longo destas cinco décadas, Angola se afirmou progressivamente como um Estado comprometido com os princípios e propósitos consagrados na Carta das Nações Unidas, com destaque para a defesa da paz e da segurança internacional, a solução pacífica dos conflitos e a cooperação entre os povos.
A experiência histórica do país na luta pela libertação da África Austral constitui, segundo o governante, uma das bases da sua actuação diplomática. O percurso de Angola esteve ligado aos processos que conduziram à independência da Namíbia, ao fim do apartheid na África do Sul e à consolidação da estabilidade regional.
O Executivo aponta igualmente o processo de reconciliação e reconstrução nacional como uma experiência que contribuiu para conferir a Angola uma voz própria nos debates sobre prevenção e resolução de conflitos. O país tem participado em iniciativas de mediação e em mecanismos continentais de promoção da paz, incluindo no âmbito da União Africana.
A trajectória diplomática inclui ainda duas eleições de Angola como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU, quatro mandatos no Conselho de Paz e Segurança da União Africana e participação em diferentes iniciativas e processos de mediação. O Governo destaca também a realização da Bienal de Luanda para a Cultura de Paz e Não-Violência como parte dos esforços de promoção de uma cultura de paz em África.
Para Teté António, os 50 anos de presença nas Nações Unidas representam, por isso, mais do que uma celebração histórica. A efeméride é apresentada como uma oportunidade para reafirmar o compromisso de Angola com o multilateralismo, a cooperação internacional, a paz e a resolução negociada dos conflitos.
A diplomacia angolana defende igualmente maior representatividade africana nas estruturas de decisão das Nações Unidas, incluindo no Conselho de Segurança, considerando que a actual composição não reflecte adequadamente a realidade geopolítica contemporânea.
Neste ano de celebração, Angola volta a Nova Iorque para participar na 81.ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, levando para o principal fórum multilateral do mundo uma experiência diplomática construída ao longo de cinco décadas e marcada pela participação nos debates sobre paz, segurança e desenvolvimento.




