Angola precisa adoptar uma postura mais estratégica para transformar a visibilidade que conquista no cenário internacional em oportunidades concretas para o país. A defesa é da membro do Conselho da Associação Africana de Relações Públicas, Carolina Freitas.
Em entrevista, esta quarta-feira, 16, à Rádio Correio da Kianda, a especialista considerou que o país tem registado momentos de grande exposição internacional, mas nem sempre consegue aproveitar essa visibilidade para reforçar a sua imagem e defender os seus interesses.
Carolina Freitas apontou como exemplo o período em que o Presidente João Lourenço exerceu a presidência da União Africana, durante o qual, segundo a especialista, Angola esteve frequentemente na agenda dos meios de comunicação africanos e internacionais.
“Nós tivemos na pauta de África, na pauta da região. Todas as semanas eu tinha que fazer no mínimo cinco a seis artigos sobre Angola”, recordou.
Segundo Carolina Freitas, a presidência da organização continental contribuiu para colocar Angola sob maior atenção internacional, ao ponto de a imagem do país ficar frequentemente associada à própria União Africana.
“Angola torna-se uma extensão da União Africana”, afirmou.
A especialista entende, no entanto, que essa exposição poderia ter sido melhor aproveitada para promover o país e criar oportunidades em diferentes áreas.
Para Carolina Freitas, Angola deve adoptar uma postura mais proactiva na procura de informação, no acompanhamento das oportunidades internacionais e na definição de estratégias de comunicação que contribuam para a afirmação da imagem nacional.
“É verdade que há um longo caminho a ser feito na afirmação do nosso país, mas se nós formos um pouco mais egocêntricos, no bom sentido, colocarmos os nossos interesses acima de tudo, investigarmos, estudarmos, vamos atrás de informação, vamos encontrar todas essas oportunidades”, defendeu.
A especialista considera que a comunicação estratégica pode desempenhar um papel importante neste processo, sobretudo na identificação de riscos, oportunidades e públicos relevantes para a projecção de uma marca, instituição ou país.
Carolina Freitas também chamou atenção para a necessidade de se compreender melhor o papel dos profissionais de Relações Públicas em Angola. Na sua avaliação, ainda existe confusão entre a actividade de Relações Públicas e a assessoria de imprensa.
A responsável explicou que, noutros países, a assessoria de imprensa começou por ser tratada de forma autónoma, mas acabou incorporada na actividade mais abrangente das Relações Públicas.
“O profissional de Relações Públicas é aquela pessoa que eu chamo de construtor de pontes”, afirmou, defendendo que o RP deve funcionar como elo entre organizações, jornalistas e diferentes partes interessadas.
Para a especialista, o profissional de Relações Públicas deve assumir uma função estratégica, identificando riscos e oportunidades que possam afectar a reputação de uma organização e contribuindo para a definição das acções necessárias.
A responsável defende, por isso, uma maior valorização da comunicação estratégica como instrumento para melhorar a presença de Angola no espaço internacional e transformar momentos de visibilidade em benefícios concretos para o país.



