O Governo angolano pretende reforçar as relações comerciais com o Brasil no domínio do Agronegócio, que permanecem aquém do potencial existente, e não reflectem o nível da cooperação política e histórica entre os dois países.
A vontade foi manifestada pelo presidente do Conselho de Administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX), Arlindo Rangel, esta quarta-feira, 12 de Agosto, em Luanda, no final da audiência concedida pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, a uma delegação empresarial brasileira, interessada em aprofundar os investimentos no sector do agronegócio em Angola.
Segundo Arlindo Rangel, o Brasil é uma potência mundial e hoje é o maior exportador do mundo no agronegócio.
O PCA da AIPEX explicou que o encontro serviu para reforçar o interesse dos empresários brasileiros em investir no agronegócio angolano, bem como para abordar algumas dificuldades que ainda impedem a concretização destes investimentos.
Arlindo Rangel disse que uma das dificuldades está relacionada com a própria mentalidade dos investidores brasileiros do sector agrícola, que enfrentam desafios até para se deslocarem entre diferentes Estados do Brasil, tornando ainda mais complexa a decisão de investir fora do país.
“Da nossa parte, reiterámos que as condições estão todas ao dispor e que continuamos com muita paciência para vermos essa parceria se materializar”, afirmou.
Apesar dos constrangimentos, garantiu que o Executivo continuará a trabalhar na promoção de Angola como destino de investimento, incluindo através de missões empresariais e iniciativas de promoção do investimento.
“O Governo mantém-se firme na disposição de ter a tecnologia, o know-how brasileiro para aumentarmos a nossa capacidade de produção”, frisou.
No domínio da produção agrícola e agroindustrial, o responsável da AIPEX destacou a importância da Biocom, considerando que o projecto privado, apesar de estar a desenvolver a sua actividade, não é suficiente para responder sozinho às necessidades do mercado nacional.
“Nós precisamos de mais Biocoms”, afirmou, acrescentando que a AIPEX tem promovido encontros com potenciais parceiros, com o objectivo de atrair novos investimentos e aumentar a capacidade produtiva nacional.
O responsável mostrou-se igualmente esperançoso quanto aos resultados do fórum realizado e às oportunidades de parceria com empresários brasileiros, através do Grupo LIDE Angola.
“Todo ponto final tem um ponto de partida. Então, vamos continuar a fazer o nosso caminho para que essa questão se materialize”, declarou.
Sobre os incentivos disponíveis para investidores brasileiros, Arlindo Rangel explicou que Angola dispõe de uma legislação de investimento robusta e previsível, com benefícios diferenciados de acordo com as áreas de investimento.
Segundo o responsável, os incentivos estão distribuídos por quatro áreas, designadamente A, B, C e D, podendo variar em função dos sectores e projectos, com benefícios que vão de um a 15 anos e taxas que podem alcançar entre 1 por cento e 95 por cento.
Entretanto, salientou que a estratégia de captação de investimento estrangeiro não assenta exclusivamente nos incentivos fiscais.
“Não captamos investimentos só com os incentivos, captamos investimento com muitas outras coisas que temos estado a fazer”, referiu, apontando o desenvolvimento das infra-estruturas e das áreas de logística, bem como a melhoria do ambiente de negócios como factores determinantes para tornar Angola mais atractiva ao investimento privado.
A delegação empresarial brasileira participou nesta quarta-feira, 12 de Agosto, no Fórum do Agronegócio Angola-Brasil, promovido pela Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX) e pelo Grupo LIDE.
O fórum contou com a participação do ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, do ministro do Turismo, Márcio Daniel, do fundador do LIDE, João Doria, e do Presidente do LIDE Angola, Venceslau Andrade, além de representantes dos sectores público e privado de Angola e do Brasil.




