A participação de Angola ao mais alto nível no Fórum Mundial da Alimentação 2026, em Roma, Itália, reforça a presença do país nos debates multilaterais sobre segurança alimentar e nutricional, além de estreitar a cooperação com parceiros internacionais.
O Fórum, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), vai contar com a participação especial do Chefe de Estado, João Lourenço, numa altura em que o país defende a candidatura da embaixadora Josefa Sacko à liderança desta agência da ONU.
Subordinado ao lema “Inovar hoje. Alimentar amanhã”, o certame, que decorre até ao dia 16 deste mês, vai promover iniciativas orientadas para a diversificação económica, o desenvolvimento rural e o aproveitamento sustentável do potencial agrícola nacional.
No âmbito da participação de Angola no Fórum, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, chegou ontem a Roma para integrar a delegação angolana no evento. O encontro é considerado um dos principais palcos internacionais de diálogo e mobilização para a transformação dos sistemas agro-alimentares, segurança alimentar, nutrição e desenvolvimento sustentável.
A agenda destaca a participação de representantes de governos, organizações internacionais, instituições científicas e académicas, sector privado, investidores e organizações da sociedade civil.
O certame reúne actores globais comprometidos com a construção de sistemas alimentares mais sustentáveis, inclusivos e resilientes.
O Fórum Mundial da Alimentação tem como principais objectivos promover soluções inovadoras para os desafios da fome e da má nutrição, estimular a cooperação internacional, mobilizar investimentos para o sector agro-alimentar e incentivar políticas e iniciativas que contribuam para o aumento da produção e da produtividade agrícola, a sustentabilidade ambiental e a melhoria das condições de vida das populações.
Informações partilhadas apontam o Fórum como uma plataforma para o intercâmbio de experiências entre países e instituições, com vista à promoção de sistemas agro-alimentares capazes de assegurar o acesso a alimentos suficientes, seguros e nutritivos, sem comprometer os recursos naturais e as necessidades das gerações futuras.
A edição de 2026 estrutura-se em torno de três eixos fundamentais, nomeadamente a Acção Global da Juventude, o Fórum da Ciência e Inovação e o Fórum de Investimento da Iniciativa Mão a Mão (Hand-in-Hand), que proporcionam oportunidades de partilha de conhecimentos, apresentação de soluções tecnológicas, estabelecimento de parcerias e mobilização de recursos para projectos de desenvolvimento agro-alimentar.
O programa partilhado pelo Ministério das Relações Exteriores sublinha que a delegação angolana terá a oportunidade de acompanhar os debates e as iniciativas do evento.
Além disso, o país pretende contribuir para a promoção de soluções conjuntas que favoreçam a segurança alimentar, a sustentabilidade dos sistemas de produção e o desenvolvimento socioeconómico.
O Fórum Mundial da Alimentação 2026 decorre num contexto em que a transformação dos sistemas agro-alimentares constitui uma prioridade da agenda internacional, exigindo o envolvimento coordenado dos Estados, das organizações internacionais, dos investidores, da comunidade científica e da sociedade civil.
Embaixadora Sacko destaca lançamento da campanha
A candidata angolana ao cargo de directora-geral da FAO, Josefa Sacko, mostrou-se confiante no processo e naquilo que poderão ser os resultados, tendo manifestado convicção de que ao nível do país “estamos preparados “.
Em declarações à imprensa nacional, a engenheira agrónoma e actual embaixadora de Angola na Itália, falou da sua candidatura e do processo em curso, em véspera do lançamento oficial da sua campanha, que acontece amanhã.
A diplomata esclareceu que o período de candidaturas formais para o posto abre no próximo mês de Novembro.
Na ocasião, realçou o peso político do endosso da União Africana e do apoio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), conquistados por via da diplomacia activa coordenada pelo Executivo angolano.
“A nossa candidatura é uma aposta africana. É um projecto de Angola, sou angolana, mas representa o continente”, sublinhou.
Além das alianças continentais, a diplomata lembrou que Angola estendeu o pedido de apoio à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Questionada sobre as expectativas em relação ao desfecho da corrida à liderança da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Josefa Sacko enfatizou que a competência e a experiência consolidada são factores determinantes no concurso.
“Sinto-me satisfeita com a condução deste processo por parte de Angola. Temos vantagens estratégicas, uma vez que entre 60% e 70% das metas de erradicação da fome se concentram no Sul Global. É nesta realidade que intervimos com propriedade, sustentados por relatórios anuais que evidenciam os dados da subnutrição à escala global”, concluiu Josefa Sacko.




