O economista Eduardo Colo recorda que, durante a governação de José Eduardo dos Santos (JES), havia indivíduos que tinham “bancos em casa”, numa referência à acumulação de riqueza que, em alguns casos, não foi acompanhada por uma mentalidade empresarial orientada para o desenvolvimento económico.
Em declarações este domingo, 25, à Rádio Correio da Kianda, o economista considerou que faltaram, a determinados indivíduos, elementos como a mentalidade, a disciplina e a compreensão do significado do enriquecimento, defendendo uma reflexão sobre o processo de formação da classe empresarial angolana.
“Essas pessoas não entenderam a razão de terem enriquecido, faltou o elemento do cérebro”, afirmou Eduardo Colo, ao analisar a forma como alguns indivíduos passaram a acumular riqueza no país.
O economista rejeitou, contudo, a ideia de que a criação da classe empresarial angolana tenha resultado simplesmente da transferência de recursos dos pobres para os ricos, explicando que a promoção do empresariado nacional respondia a uma necessidade estratégica da economia.
Segundo Eduardo Colo, era necessário criar uma classe empresarial angolana forte para reduzir a dependência do capital estrangeiro e permitir que os nacionais assumissem um papel mais relevante na actividade económica.
O economista recordou que essa orientação foi definida no congresso do MPLA de 1998, que estabeleceu a opção por uma economia de mercado, com presença do Estado em determinados sectores e o exercício da função reguladora.
Na sua análise, a conquista da paz, em 2002, abriu caminho à implementação de medidas destinadas a estimular a actividade empresarial. Em 2003, o país avançou com a Lei de Fomento Empresarial, no quadro dos esforços para promover o empresariado nacional.
Eduardo Colo chamou igualmente a atenção para situações em que alguns indivíduos terão recorrido a circuitos financeiros duvidosos, sem conseguirem demonstrar claramente a proveniência dos recursos, mencionando os paraísos fiscais como exemplo no debate sobre a circulação e a origem do dinheiro.
A reflexão do economista coloca em evidência o desafio de transformar a acumulação de riqueza numa actividade empresarial produtiva, transparente e capaz de contribuir para a diversificação da economia angolana.




