O embaixador de Angola na Etiópia e representante permanente junto da União Africana (UA) e da Comissão Económica das Nações Unidas para África, Miguel Bembe, reiterou que a diplomacia da água é um instrumento estratégico para prevenir conflitos, reforçar a cooperação transfronteiriça e consolidar a paz no continente africano.
O diplomata defendeu a tese quando interveio, recentemente, no painel da 4.ª Bienal de Luanda, subordinado ao tema “Água, Paz e Cooperação Transfronteiriça: Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos através da Diplomacia da Água, da Integração Regional e de uma Cultura de Paz”.
Miguel Bembe destacou, na ocasião, a importância dos recursos hídricos para o desenvolvimento das civilizações e a agenda estratégica africana.
Ao abordar a relação entre os recursos hídricos e a estabilidade regional, Miguel Bembe contestou a tese de que a escassez de água conduz inevitavelmente a guerras.
O diplomata salientou que as tensões reais derivam da ausência de marcos regulatórios eficientes e da falta de confiança mútua entre os Estados.
“A água não é uma fonte geradora de conflitos armados, mas sim a ausência de mecanismos regulatórios eficazes e a escassez de confiança mútua entre as nações que partilham as margens dos mesmos rios”, realçou.
O embaixador alertou que cerca de 90% das águas superficiais de África estão distribuídas por bacias transfronteiriças, uma realidade geográfica que impõe uma gestão coordenada e permanente.
Neste contexto, defendeu que as fronteiras políticas não devem travar a cooperação, uma vez que a natureza estabelece uma interdependência que supera os limites territoriais.
Evocando o histórico do continente — caracterizado pela assinatura de múltiplos tratados em detrimento de confrontos —, Miguel Bembe concluiu que essa tradição de diálogo valida a doutrina da antecipação e da diplomacia preventiva defendida pela União Africana para o ano de 2026.




