Angola reúne condições geográficas para desempenhar um papel relevante na articulação logística entre o interior do continente africano, a região da África Austral e os mercados internacionais, considerou segunda-feira, em Luanda, o ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio da Fonseca.
Ao discursar em representação do Presidente da República, João Lourenço, na 2.ª edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit, Dionísio da Fonseca, destacou que o desenvolvimento dos corredores económicos e logísticos constitui uma oportunidade para potenciar a posição estratégica do país, que deverá contribuir para a promoção da integração regional e criar novas oportunidades de investimento e desenvolvimento económico.
Para o Chefe da Casa Civil do Presidente da República, o Corredor do Lobito é, particularmente, ilustrativo desta perspectiva, acrescentado que o seu potencial não se esgota no transporte de mercadorias ou na ligação entre territórios.
Segundo Dionísio da Fonseca, o Corredor do Lobito abrange, igualmente, as oportunidades que a conectividade pode proporcionar à agricultura, à indústria, aos serviços e às actividades económicas em geral desenvolvidas ao longo da sua área de influência.
Entretanto, continuou, esta é uma dimensão fundamental de qualquer estratégia de desenvolvimento, que assegura que os investimentos em infra-estruturas produzem benefícios económicos e sociais que se estendem aos territórios e às comunidades.
Segundo Dionísio da Fonseca, a realização desta segunda edição do evento constitui uma oportunidade para “aprofundarmos” uma reflexão que ultrapassa o sector dos transportes e da logística, e que se encontra no centro dos desafios económicos do continente africano.
Para Dionísio da Fonseca, o país tem capacidade de transformar a sua posição geográfica, os recursos e o seu potencial económico em oportunidades efectivas de crescimento e de prosperidade.
Soluções para fomentar o desenvolvimento da região
Dionísio da Fonseca considerou que a presente edição do Summit assume -se como uma plataforma para aprofundar o diálogo iniciado em 2025 e identificar soluções, oportunidades de financiamento e parcerias capazes de contribuir para o desenvolvimento económico regional.
Além disso, continuou, a conectividade não deve, por isso, constituir um fim em si mesmo. Deve ser um instrumento de transformação económica, de integração regional e de melhoria das condições de vida das populações.
“Uma ferrovia, um porto, um aeroporto ou uma plataforma logística adquirem verdadeira dimensão económica quando contribuem para dinamizar a produção, reduzir os custos das empresas, facilitar o comércio e proporcionar novas oportunidades às comunidades.
Dionísio da Fonseca sublinhou que a concretização deste potencial exige a articulação entre políticas públicas, investimento privado, capacidade empresarial e cooperação internacional. Impõe também que os países africanos trabalhem em conjunto para ultrapassar os obstáculos que ainda condicionam as trocas comerciais, a circulação de pessoas e mercadorias e o desenvolvimento de cadeias de valor regionais.
“Nenhum corredor económico alcança todo o seu potencial se terminar na fronteira do mesmo país. A integração regional pressupõe infra-estruturas interligadas, mecanismos de cooperação, procedimentos harmonizados e condições que facilitem a actividade económica”, disse.
Nesta perspectiva, salientou que Angola encara a importância da cooperação com os países da região e com os parceiros internacionais, reconhecendo que o desenvolvimento de infra-estruturas estratégicas exige uma visão que ultrapasse as fronteiras nacionais.
O Angola Hub Transporte e Logística Summit 2026 decorre sob o lema “Conectando Mercados, Pessoas e Oportunidades”, reunindo representantes do Governo, operadores económicos, instituições financeiras e parceiros nacionais e internacionais.
A Cimeira conta com a participação de empresas do segmento ferroviário, portuário, marítimo, aéreo e logístico, proporcionando oportunidades de diálogo sobre os investimentos necessários para melhorar a eficiência das cadeias de abastecimento e a competitividade das economias africanas.
Acordos impulsionam projectos nos Transportes
Três instrumentos jurídicos foram assinados ontem, em Luanda, no quadro da 2.ª edição da Cimeira Angola Hub Transporte e Logística Summit (AHTLS) 2026, para impulsionar o desenvolvimento do Corredor de Malanje e a mobilidade eléctrica.
Um dos acordos, rubricado entre o Ministério dos Transportes e a Corporação Financeira Internacional (IFC, sigla inglesa), visa a estruturação de um projecto de Parceria Público-Privada (PPP) para a modernização e expansão da capacidade ferroviária entre o Porto de Luanda e Malanje.
Por meio desse instrumento, a IFC prestará assistência técnica na estruturação do projecto e no processo de selecção do parceiro privado, com objectivo de reforçar a conectividade e eficiência logística.
O segundo instrumento, assinado entre o Ministério dos Transportes, o Fundo Soberano de Angola e a OPAIA Motors, estabelece as bases para o programa “Ondjila Green”, que prevê, na primeira fase, a instalação de dois mil carregadores para veículos eléctricos em todo o território nacional. O programa pretende promover a mobilidade eléctrica, a transição energética e o desenvolvimento de competências técnicas nacionais.
Já o memorando entre o Ministério dos Transportes e a Hemera Capital Partners prevê a criação de uma plataforma digital, denominada Data Room, para disponibilizar às instituições financeiras informação organizada sobre projectos estratégicos seleccionados pelo departamento ministerial.
A plataforma será gerida pela Hemera Capital Partners, que apoiará, igualmente, a preparação e estruturação financeira dos projectos, visando facilitar a mobilização de recursos para investimentos nos sectores dos Transportes, logística e infra-estruturas.




