Nas 21 províncias abrangidas pela auscultação, cidadãos apontam prioridades para o desenvolvimento do país, reconhecem progressos e defendem medidas concretas para melhorar as condições de vida das famílias.
O emprego, o custo de vida, a Saúde, a Educação, a Habitação e as infra-estruturas estão entre as principais preocupações dos cidadãos ouvidos pelo Jornal de Angola, que esperam respostas concretas no Discurso sobre o Estado da Nação, a ser proferido hoje pelo Presidente da República, João Lourenço.
Além de novas iniciativas, os entrevistados defendem um balanço dos resultados alcançados e dos compromissos por cumprir. Embora reconheçam progressos em áreas como a Saúde, a Educação e as infra-estruturas, consideram necessário reforçar os investimentos e melhorar as condições de vida da população.
Luanda - Emprego e melhores serviços públicos são prioridades
Na capital do país, os entrevistados defendem a criação de empregos, o acesso ao financiamento e a formação profissional ajustada às necessidades das empresas. Na Saúde e na Educação, pedem melhores infra-estruturas, valorização dos profissionais, formação especializada e medidas para reduzir o abandono escolar.
O economista Avelino Liberato considera importante esclarecer a evolução da dívida pública e os efeitos do crescimento económico sobre a inflação e o poder de compra. Segundo dados do Banco Mundial por si citados, o peso da dívida passou de cerca de 116% do PIB, em 2020, para aproximadamente 52%, em 2025. Em Cacuaco, o pastor Celestino Chipundo reconhece investimentos na Saúde, mas defende uma avaliação dos resultados e dos desafios persistentes. Outros interlocutores pedem dinamização do sector privado e maior investimento em energias renováveis.
Malanje - População pede respostas para o custo de vida
Em Malanje, os cidadãos esperam medidas para reduzir o custo de vida, melhorar os salários, ampliar o acesso à habitação e criar empregos para os jovens. O estudante Caterso Luís defende maior facilidade no acesso à cesta básica, enquanto o jurista Jossilas Costa considera prioritária a expansão dos projectos habitacionais.
O pároco Pedro Luiz pede melhorias na Saúde, Educação, abastecimento de água e fornecimento de energia, sobretudo nas comunidades afastadas. Já Nilton Joveta defende a continuidade dos investimentos na industrialização, considerando que o aumento da produção nacional pode reduzir as importações e criar empregos.
Icolo e Bengo - Reforço do investimento social
Em Icolo e Bengo, Almeida Henriques, mestre em Ciências Políticas e Administração Pública, defende medidas para reduzir o défice social, criar empregos, apoiar a agricultura e ampliar o acesso à energia. Considera, igualmente, importantes a estabilidade institucional, o civismo e a participação dos cidadãos, tendo em conta as Eleições Gerais de 2027.
Roque d’Oliveira, presidente da Associação dos Assistentes Sociais de Angola, pede maior investimento no sector social, com prioridade para o saneamento, a prevenção da malária e dos acidentes rodoviários, a humanização dos serviços de saúde e a melhoria do ensino.
Lunda-Sul - Estabilidade económica e realização das autarquias
Na Lunda-Sul, os entrevistados defendem a estabilização do Kwanza, a atracção de investimento privado e a criação de empregos. Fernando Mutombo, secretário provincial do PRA-JA Servir Angola, reconhece avanços na Saúde e na Educação ao longo dos 50 anos de Independência, mas considera necessário resolver os problemas que persistem.
O jurista Ekovongo Bonga defende a realização das primeiras eleições autárquicas. Já Carlos Chimuangui pede investimentos na Energia e nas Águas, formação de quadros e melhores condições para as empresas. Os estudantes Celso Fortunato e Helena Irlanda destacam a qualidade do ensino, a formação técnico-profissional e o combate à corrupção.
Uíge - Controlo da inflação e apoio à produção nacional
No Uíge, os entrevistados defendem medidas para conter a inflação, diversificar a economia, criar empregos e melhorar as infra-estruturas. O investigador Bosseke Mansony pede um balanço do desempenho económico e estratégias para reduzir a dependência do petróleo, atrair investimentos e combater a pobreza.
Virgílio Vumbi defende a recuperação do poder de compra, enquanto o empresário agrícola Almeida Lutucuta pede crédito, redução dos custos dos fertilizantes e sementes e melhores estradas para escoar a produção. O jornalista Xavier Basílio propõe diversificar a formação técnico-profissional e concluir infra-estruturas destinadas à juventude, ampliando as oportunidades de emprego e empreendedorismo.
Moxico e Moxico Leste - estrada, água, electricidade e emprego
No Moxico, os entrevistados pedem a reabilitação de estradas, a expansão das redes de água e electricidade e mais oportunidades de emprego. Emília da Conceição destaca a ligação rodoviária entre a comuna do Muhango, no Bié, e o Luena, além do reforço do abastecimento de água potável.
Daniel Caiombo defende a expansão da rede eléctrica na cidade, enquanto Horácio Manuel pede oportunidades para a juventude e a reabilitação das ligações Moxico–Bié e Lutembo–Lumbala Nguimbo, consideradas importantes para facilitar o transporte de pessoas e mercadorias e dinamizar o comércio.
Zaire - Emprego e redução das assimetrias regionais
Na província do Zaire, os cidadãos pedem emprego, melhores infra-estruturas escolares e reforço dos serviços de saúde, sobretudo através da contratação de médicos especialistas. Telma Madalena Balu defende uma formação ajustada às necessidades do desenvolvimento e o estímulo ao sector privado.
O docente Daniel Finda destaca a conclusão do Hospital Geral do Zaire, o reforço do ensino superior e a reabilitação de estradas. Defende, igualmente, o apoio à agricultura e ao escoamento da produção. A autoridade tradicional Afonso Mendes pede medidas para reduzir os preços da cesta básica e combater o contrabando de combustível.
Cuanza-Sul - Investimentos reconhecidos, mas falta emprego
No Cuanza-Sul, o professor Francisco Mendes Lopes reconhece os investimentos realizados, sobretudo a construção de hospitais capazes de assegurar tratamentos complexos no país. Defende, contudo, a estabilização económica, a criação de empregos para os jovens e medidas contra a fome e a pressão social.
Os entrevistados pedem, ainda, melhores políticas habitacionais, qualidade do ensino e formação técnico-profissional. Lucinda Cassanje defende apoio às mulheres vulneráveis, incluindo as zungueiras, e medidas para reduzir o número de crianças fora da escola. A empreendedora Maria Felismina considera prioritários os cursos técnicos e as oportunidades de auto-emprego para jovens formados.
Bié - Medidas concretas para melhorar as condições de vida
No Bié, os responsáveis provinciais do PRA-JA Servir Angola, Ernesto Sozinho, do PRS, António Armando, e do PHA, João Custódio, esperam medidas concretas para responder aos desafios económicos e sociais. Entre as prioridades, estão a criação de empregos, a recuperação do poder de compra e a melhoria das condições de vida.
Os três interlocutores defendem maior atenção à Saúde, à Educação e às famílias vulneráveis, considerando necessário transformar as orientações do Executivo em resultados visíveis para a população.
Bengo - Redução das desigualdades territoriais
No Bengo, os cidadãos pedem melhorias no acesso à água, energia, Saúde, Educação e estradas. Siomara Fragoso, da Provedoria de Justiça, defende melhores serviços públicos, formação contínua dos profissionais e condições para o investimento privado, de modo a criar empregos e reduzir a dependência do Estado.
Divaldo Manoxe destaca a construção e reabilitação de estradas para facilitar a circulação de pessoas e mercadorias. O docente universitário Tomás Manuel defende a continuidade do combate à corrupção e políticas sociais que reduzam as desigualdades entre os centros urbanos e as comunidades rurais.
Cuanza-Norte - Emprego, serviços públicos e combate à pobreza
No Cuanza-Norte, os entrevistados defendem mais emprego, melhores serviços de Saúde e Educação, acesso à habitação e reforço das infra-estruturas. O pastor Lúcio Marques pede um balanço das políticas públicas, com dados sobre empregos criados, resultados na Saúde e efeitos das medidas económicas sobre o custo de vida. Defende, também, o combate à corrupção, a tolerância política e o compromisso com a paz.
O gestor David Francisco espera medidas para melhorar o bem-estar das famílias e recuperar a confiança no futuro. Os entrevistados pedem esclarecimentos sobre a inflação, a produção agrícola e industrial e os resultados das políticas implementadas desde 2017.
Cunene - Combate à pobreza e reforço das infra-estruturas
No Cunene, o professor universitário Luís Lelo defende medidas contra a fome, a pobreza e o desemprego, bem como a melhoria das escolas e a ampliação do acesso ao ensino superior. O académico pede, ainda, maior fiscalização dos projectos públicos e utilização mais eficiente dos recursos do Estado.
Os entrevistados destacam a reabilitação das estradas de acesso às barragens de Ndue e Calucuve, para facilitar o escoamento da produção agrícola e dinamizar a economia local. A criação de empregos e a melhoria dos serviços públicos figuram, igualmente, entre as prioridades.
Huíla - Emprego juvenil e segurança rodoviária
Na Huíla, os entrevistados defendem um balanço transparente da governação, o combate à corrupção e medidas para melhorar as condições de vida. A estudante de Direito Delfina Caiango considera importante avaliar os resultados económicos e sociais, enquanto Aécio Ananás pede iniciativas para facilitar o primeiro emprego aos recém-formados e maior transparência na gestão dos recursos públicos.
A escritora, professora e empreendedora Soraia Mendes Pakissi defende o reforço da prevenção e fiscalização rodoviária, sobretudo nos transportes colectivos, e medidas mais eficazes de protecção das crianças contra a violência e os abusos sexuais.
Cubango - Avanços reconhecidos, mas persistem desafios sociais
No Cubango, o pastor Júlio Simão Sikembi reconhece avanços na construção de estradas, barragens, hospitais e escolas, bem como na admissão de profissionais da Saúde e da Educação. Destaca, também, o Kwenda Urbano e a Divisão Político-Administrativa, que, na sua perspectiva, aproximou os serviços do Estado dos cidadãos. Apesar dos progressos, defende mais emprego, redução da pobreza e combate à corrupção.
O académico Eduardo Sabalo pede medidas para baixar os preços da cesta básica e aliviar as dificuldades das famílias, agravadas pela desvalorização do Kwanza. Reconhece, igualmente, o papel da diplomacia angolana na projecção internacional do país e espera novas medidas para impulsionar o desenvolvimento socioeconómico.
Namibe - Balanço da governação e melhorias sociais
No Namibe, os entrevistados pedem esclarecimentos sobre o custo de vida, o desemprego, as finanças públicas e os resultados nos sectores da Saúde, Educação e Habitação. O advogado José Cavela Cativa defende um balanço do cumprimento dos compromissos assumidos, com destaque para a diversificação económica e a melhoria das infra-estruturas.
O gestor escolar Ambrósio Jongolo reconhece avanços na Saúde, mas considera necessário identificar as dificuldades que persistem e apresentar soluções. Os entrevistados esperam que o discurso relacione as realizações do Executivo com os resultados concretos das políticas públicas.
Lunda-Norte - Inflação, Saúde e Educação entre as preocupações
Na Lunda-Norte, os entrevistados pedem medidas para reduzir a inflação e os preços da cesta básica, aliviar a carga do Imposto sobre o Rendimento do Trabalho e ampliar as oportunidades de emprego e empreendedorismo feminino. Jandira Sapiri defende maior acesso das mulheres ao financiamento, enquanto Mário Elone pede soluções para recuperar o poder de compra.
Na Saúde, José Mulambeno e Melícia Augusto defendem melhorias na assistência médica e medicamentosa e mais unidades materno-infantis e pediátricas. O docente Bernabé Zito André reconhece os investimentos hospitalares, que, na sua perspectiva, reduziram a necessidade de evacuar doentes para o exterior, e pede maior aposta no ensino técnico-profissional.
Cabinda - Prazos para projectos estruturantes
Em Cabinda, os entrevistados defendem prazos para a conclusão de projectos estruturantes, melhoria dos transportes e reforço da produção nacional. Rafael Mossi destaca a agricultura, a pecuária e a pesca, enquanto o economista Henrique Bitebe pede controlo da inflação e resultados concretos dos programas de diversificação económica, como o PRODESI e o Plano Nacional de Fomento Industrial.
O administrador municipal de Cacongo, Armando do Carmo, aponta a ligação eléctrica entre o Zaire e Cabinda, através de cabos submarinos, e a reabilitação da Estrada Nacional n.º 200, entre Cabinda e Belize. Francisco Vanny destaca o navio Tchiowa e os projectos de mobilidade para facilitar o transporte de passageiros e mercadorias.
Benguela - Projectos estruturantes e apoio à produção nacional
Em Benguela, os empresários Adérito Areias e António Noé reconhecem a importância da refinaria e do Corredor do Lobito, dos investimentos na Saúde e dos programas de diversificação económica. Consideram que estes projectos podem atrair investimentos, dinamizar empresas e criar empregos, defendendo a continuidade das iniciativas que impulsionam a actividade económica.
O empresário agrícola Nelson Rodrigues pede redução dos custos de produção, acesso a insumos e incentivos à expansão das áreas de cultivo. Apesar das oportunidades associadas ao Corredor do Lobito e ao investimento estrangeiro, considera fundamental reforçar a produção nacional, abastecer a indústria transformadora e criar empregos para a juventude.
Huambo - Recuperação do poder de compra e investimento produtivo
No Huambo, o secretário provincial do PRS, António Soliya Selende, defende medidas para conter a inflação, recuperar o poder de compra e melhorar a eficiência do investimento público. Aponta, ainda, a necessidade de reforçar os hospitais, reabilitar estradas e apoiar a agricultura e projectos industriais, como a Plataforma Logística da Caála e a fábrica de vacinas animais.
O economista Maximiliano Lupenha pede medidas para aliviar os efeitos da inflação sobre as famílias de menor rendimento. Defende, igualmente, o reforço da indústria transformadora, da inovação tecnológica e da competitividade da produção nacional para diversificar a economia e ampliar as oportunidades de crescimento.
Cuando - Jovens defendem investimentos no turismo
No Cuando, jovens de Mavinga esperam que o Discurso sobre o Estado da Nação transmita esperança e apresente resultados dos investimentos em escolas, unidades sanitárias, estradas e emprego. O professor Eugénio Sumbo defende a continuidade de programas como o Kwenda e o PIIM, bem como o apoio às famílias vulneráveis e aos grupos minoritários.
Hélder Gomes pede maior protecção dos parques nacionais de Mavinga, Luengue e Luiana, considerando o turismo e o projecto transfronteiriço de conservação da biodiversidade do Okavango importantes para diversificar a economia. O jovem espera igualmente que o Orçamento Geral do Estado para 2027 reforce os investimentos em estradas e infra-estruturas administrativas, impulsionando o desenvolvimento da província.
Respostas concretas
As expectativas recolhidas convergem na criação de empregos, redução do custo de vida e melhoria dos serviços públicos. Embora persistam dificuldades, os cidadãos reconhecem investimentos na Saúde, Educação e infra-estruturas, defendendo a continuidade dos projectos e a correcção das insuficiências.
Para o Discurso sobre o Estado da Nação, esperam um balanço transparente das realizações e dos compromissos por cumprir, acompanhado de medidas capazes de responder às necessidades da população e produzir resultados concretos na melhoria das condições de vida.
Poliana dos Santos | LuandaKátia Ramos | MalanjeHelma Reis | CateteKamuanga Júlia | Saurimo António Capitão | Uíge
Daniel Benjamim | LuenaJaquelino Figueiredo Mbanza KongoXavier Candumba | CuitoCasimiro José| SumbeAdilson Sebastião | Caxito
Marcelo Manuel | NdalatandoAzevedo Faria | OndjivaEstanislau Costa | LubangoCarlos Paulino | MenongueVanilson António/ Moçâmedes
André Sibi | DundoPedro Vicente | CabindaArão Martins | BenguelaJustino Victorino - HuamboLourenço Bule | Mavinga




