O Banco Mundial reviu, ontem, em alta a previsão de crescimento da economia angolana para este ano, fixando-a em 4,5%, segundo o relatório “Actualização Económica de África”, publicado na edição de Outubro.
A nível regional, a instituição prevê que o crescimento da África Subsariana passe de 4,1% em 2025 para 4,3% em 2026. O ajuste representa um aumento de 0,3 pontos percentuais face às projecções de Abril, com revisões positivas em 35 dos 47 países da região, incluindo Angola, Etiópia, Nigéria e Zâmbia.
No caso de Angola, a aceleração económica de 3,1% em 2025 para 4,5% em 2026 é uma das mais expressivas da região.
Contudo, a trajectória não será linear: o Banco Mundial antecipa um abrandamento para 3,3% em 2027 e 3,1% em 2028. O desempenho atual reflecte o “forte dinamismo” do segundo trimestre, período em que o Produto Interno Bruto (PIB) angolano cresceu 8,74% em termos homólogos.
Sendo um importante exportador de petróleo, o país beneficiou da subida dos preços do crude, o que aumentou as receitas e a entrada de divisas, aliviando a pressão sobre a taxa de câmbio.
Na frente dos preços internos, as projecções macroeconómicas apontam para um recuo altamente significativo da inflação angolana, que deverá passar de um patamar pressionado de 20,2% em 2025 para uma estimativa de 10,3% este ano.
Esta redução, que representa quase metade da taxa anterior, sinaliza uma trajectória de forte recuperação monetária. Apesar deste cenário marcadamente positivo, o relatório do Banco Mundial introduz uma nota de cautela e deixa um aviso explícito: os ganhos extraordinários associados ao sector petrolífero correm o risco de ser parcialmente anulados. O principal factor de preocupação reside na persistência de pressões inflacionistas remanescentes e no paradoxo de o país continuar dependente da importação de produtos refinados.
“Uma boa notícia para o país”
A revisão em alta da previsão de crescimento de Angola para 4,5 por cento em 2026, pelo Banco Mundial, é uma boa notícia para o país, sobretudo porque sinaliza uma economia mais dinâmica e com perspectivas mais favoráveis do que inicialmente se esperava.
No entanto, mais importante do que o número em si é perceber o que este crescimento pode representar para a economia e, principalmente, para a vida dos angolanos.
Depois de um crescimento de 3,1 por cento em 2025, a previsão de 4,5 por cento aponta para uma aceleração relevante da actividade económica. O desempenho do primeiro semestre de 2026, em que a economia terá crescido, ajuda a explicar esta melhoria das expectativas. Um aspecto particularmente positivo é o contributo das actividades não petrolíferas, nomeadamente da indústria transformadora, comércio e comunicações.
Este é talvez um dos sinais mais importantes. O país continua muito dependente do petróleo e, por isso, crescer com uma contribuição mais expressiva de outros sectores significa caminhar, ainda que gradualmente, para uma economia mais diversificada.




