A entrada em funcionamento das barragens do Ndúe e Calucuve vai reforçar a segurança hídrica no Cunene e abrir novas perspectivas para a agricultura, pecuária e a economia local, com impacto na criação de emprego para milhares de jovens.
A garantia foi dada pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, este sábado, 5 de Setembro, por ocasião da cerimónia de inauguração das infra-estruturas, presidida pelo Presidente da República, João Lourenço, na província do Cunene, e testemunhada pela Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, e o Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, como convidado especial.
O ministro afirmou ser exactamente este modelo de transformação que o Executivo pretende consolidar agora com as barragens de Ndúe e Calucuve, porque estas obras não são apenas infra-estruturas físicas, representam também a promoção da coesão territorial, do desenvolvimento humano e do combate à pobreza.
Para o titular do sector da Energia e Águas, a inauguração das barragens representa igualmente uma demonstração da determinação política do Executivo para enfrentar um dos maiores desafios seculares das populações do Sul de Angola: a seca.
Segundo João Baptista Borges, durante décadas, milhares de famílias no Cunene viveram sob o peso da insegurança hídrica, da perda de gado, da limitação da produção agrícola e da vulnerabilidade social provocada pela escassez de água.
“Mas o Executivo decidiu agir. Decidiu enfrentar estruturalmente este problema histórico e transformar sofrimento em oportunidade, escassez em produtividade e vulnerabilidade em resiliência”, acrescentou.
Fruto dessa visão estratégica, referiu ainda o ministro, nasceu o Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul de Angola (PCESSA), em 2019, considerado um dos maiores programas estruturantes de segurança hídrica, desenvolvimento territorial e inclusão social do país.
João Baptista Borges destacou os resultados já alcançados pelo programa, apontando o Canal do Cafu, com 165 quilómetros de extensão e inaugurado pelo Presidente da República em Abril de 2022, como uma referência nacional e regional de transformação económica e social.
“O impacto deste projecto mudou profundamente a realidade do Cunene. Onde antes predominavam os efeitos severos da seca, surgem agora campos agrícolas produtivos, aumento da actividade pecuária, crescimento do comércio local e novas oportunidades económicas para milhares de famílias”, sublinhou.
O aumento da produção agrícola tem contribuído para o reforço da segurança alimentar, a redução dos preços nos mercados e o abastecimento de várias regiões, incluindo mercados da vizinha República da Namíbia, segundo o ministro que, além dos ganhos económicos, afirmou que as populações passaram a viver com maior estabilidade, esperança e confiança no futuro.
Com a entrada em funcionamento das barragens de Ndúe e Calucuve, o Cunene passa a contar com mais duas infra-estruturas estratégicas destinadas a reforçar a segurança hídrica e a dinamizar o desenvolvimento económico e social da província e da região Sul do país.
As duas barragens têm uma capacidade combinada de armazenamento de 311 milhões de metros cúbicos de água, a que se juntam cerca de dois milhões de metros cúbicos armazenados em 37 reservatórios, distribuídos ao longo de 186 quilómetros de canais revestidos, conforme avançou o ministro.
O titular da Energia e Águas apelou ainda à preservação das barragens, enquanto património colectivo da nação, para que sejam valorizadas e utilizadas em benefício das actuais e futuras gerações.
“Hoje, celebramos não apenas a inauguração de duas grandes infra-estruturas, mas um novo ciclo de esperança, confiança e transformação para o sul de Angola. Um ciclo de mais oportunidades, produção, dignidade e desenvolvimento para o povo do Cunene”, concluiu.



