O presidente do Bloco para a Alternância Social de Todos os Angolanos (BASTA), Jovete Domingos, acusa algumas forças políticas de transformarem a vontade popular num negócio, através de entendimentos eleitorais que, na sua leitura, privilegiam a partilha de cargos e recursos em detrimento da disputa política e da alternância do poder.
A posição foi manifestada pelo líder do BASTA, que critica particularmente a criação de plataformas eleitorais sem personalidade jurídica própria. Como exemplo, Jovete Domingos citou a Frente Patriótica Unida (FPU), defendendo que acordos desta natureza podem conduzir à definição de quotas e à repartição de benefícios entre as formações que integram a plataforma. Uma posição semelhante foi reportada pelo jornal O Secreto, que descreveu a crítica do BASTA à repartição de lugares parlamentares e recursos públicos.
Segundo o político, o financiamento público atribuído aos partidos através do Orçamento Geral do Estado deve ser aplicado na actividade política, na organização das estruturas partidárias e na preparação dos próximos processos eleitorais, e não utilizado para acordos internos de distribuição de recursos.
“Se os resultados eleitorais são a vontade do soberano, que é o povo, e o dinheiro que vem do Orçamento Geral do Estado é para fazermos trabalho político de maneiras que no próximo pleito venhamos a vencer, e nós em vez de pegarmos neste dinheiro para investir em fazer política, propriamente dita, vamos nos dividir, o grupo, o trio, o que é que estamos a fazer? Estamos a fazer um negócio entre nós, com a vontade do povo”, afirmou.
Jovete Domingos classifica esta prática como “comercialização política” e defende que os partidos devem concentrar a sua actividade na apresentação de propostas e na conquista da confiança dos eleitores.
A crítica surge num momento de preparação das forças políticas para as eleições gerais de 2027. O BASTA tem admitido a possibilidade de participar numa coligação eleitoral, mas rejeita, segundo declarações anteriores do seu presidente, plataformas que não tenham personalidade jurídica e acordos centrados na repartição de lugares e recursos.
O BASTA foi legalizado pelo Tribunal Constitucional a 10 de Setembro de 2026, depois de a formação ter cumprido os requisitos legais para a sua inscrição como partido político. A decisão foi comunicada pelo Tribunal Constitucional e divulgada também pela RNA.
Depois da legalização, a formação iniciou o processo de implantação nacional e prepara o congresso constitutivo, previsto para Janeiro ou Fevereiro de 2027, segundo declarações anteriores de Jovete Domingos.




