A 4.ª edição da Bienal de Luanda, que arranca amanhã no Palácio de Convenções, vai focar-se no papel da governação da água como ferramenta para a prevenção de conflitos, o reforço da cooperação regional e a promoção de uma cultura de paz no continente africano.
Em declarações ao Jornal de Angola, os especialistas em Relações Internacionais Osvaldo Isata e Bernardino Neto, a par do analista político Joseph dos Santos, defenderam que a gestão sustentável dos recursos hídricos constitui um instrumento estratégico essencial para a estabilidade e o desenvolvimento de África.
De acordo com Osvaldo Isata, a Bienal de Luanda consolidou-se como um fórum pan-africano crucial para a promoção da não-violência, abrindo canais de diálogo entre os Estados e as organizações internacionais.
“A Bienal é uma das expressões fundamentais da cultura de paz, tendo a cooperação interestatal e multilateral como um dos seus principais pilares”, frisou o especialista.
Pluralidade de actores e desafios geopolíticos
A iniciativa vai reunir um leque diversificado de actores políticos e sociais, incluindo Chefes de Estado, representantes de governos, membros da sociedade civil, académicos e figuras do sector artístico e cultural.
Osvaldo Isata ressaltou que, numa conjuntura internacional marcada por profundas transformações geopolíticas e geoestratégicas — onde os conflitos locais continuam a ameaçar a estabilidade mundial —, a Bienal representa uma oportunidade soberana para reforçar a consciência global sobre a importância da paz.
Cooperação
O evento internacional que Angola acolhe permitirá, na perspectiva de Bernardino Neto, aprofundar a análise dos desafios relacionados com a distribuição e a gestão da água doce no continente africano.
O académico explicou que a reflexão será abrangente, englobando o impacto da exploração comercial deste recurso e as dinâmicas do desenvolvimento regional.“A Bienal de Luanda oferece uma leitura detalhada da distribuição da água doce no continente, desde a gestão dos rios, dos lagos e das bacias subterrâneas até aos desafios da agricultura e do abastecimento de água nas cidades africanas”, sublinhou.
Bernardino Neto destacou, igualmente, a importância de avaliar as necessidades das populações ribeirinhas, que dependem directamente desses ecossistemas para a sua subsistência e para o progresso das respectivas actividades económicas.
A escolha da água como tema central da Bienal de Luanda, argumentou o especialista, representa um compromisso da política externa angolana e contribui para a promoção de uma nova visão do pan-africanismo, assente na construção de consensos e na resolução conjunta dos problemas que afectam o continente.
Segurança hídrica
Para o analista político Joseph dos Santos, a realização da Bienal de Luanda representa um avanço significativo para a política externa angolana, particularmente nos domínios da paz, da segurança e do desenvolvimento sustentável.
Do ponto de vista diplomático, explicou, o evento representa um avanço significativo na política externa angolana, sobretudo nas questões relacionadas com a paz, a segurança e o desenvolvimento.
Joseph dos Santos defendeu que o desenvolvimento sustentável deve constituir uma prioridade para os Estados africanos, por contribuir para a superação dos desafios estruturais que afectam as sociedades e a criação de melhores condições de vida para as populações.
A água, disse, é um re-curso estratégico essencial para o progresso económico e social, uma vez que está directamente relacionada com a saúde pública, a segurança alimentar, a produção de energia.




