A Bienal de Luanda encerrou com uma recomendação para que a diplomacia da água seja adoptada como um dos eixos da política externa de Angola, colocando a gestão sustentável dos recursos hídricos no centro dos esforços de prevenção de conflitos e promoção da paz em África.
A recomendação consta do comunicado final do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, lido pelo secretário de Estado e porta-voz da Bienal, Nuno Caldas.
O documento recomenda igualmente a elaboração de um roteiro para a implementação de um portfólio de projectos emblemáticos sobre água, paz e juventude, com o objectivo de transformar estes temas em instrumentos de cooperação e desenvolvimento no continente africano.
A aposta na diplomacia da água surge num contexto marcado pelo aumento da pressão sobre os recursos hídricos, pelas alterações climáticas e pelos desafios de gestão das bacias hidrográficas partilhadas entre diferentes países.
Para Angola, a iniciativa poderá reforçar o seu papel na promoção do diálogo e da cooperação entre Estados que partilham recursos hídricos, contribuindo para a prevenção de tensões e conflitos relacionados com o acesso à água.
Água como instrumento de paz e cooperação
As conclusões da Bienal defendem o reforço da cooperação regional e multilateral na gestão dos recursos hídricos, bem como o investimento em infra-estruturas, tecnologia e mecanismos de partilha de conhecimento.
A proposta passa por transformar a água não apenas num recurso essencial ao desenvolvimento, mas também num instrumento de aproximação entre os países africanos.
A Bienal considera ainda que uma gestão cooperativa e sustentável dos recursos hídricos pode contribuir para consolidar a cultura de paz, sobretudo em regiões onde a escassez de água e os efeitos das alterações climáticas aumentam a pressão sobre as populações.
Realizada em Luanda, a Bienal reuniu representantes de governos, organizações internacionais, diplomatas, especialistas e jovens de vários países para debater estratégias de promoção da paz, da cultura e do desenvolvimento sustentável em África.




