O candidato à presidência da FNLA pela comissão dos membros do Comité Central, Pedro Gomes, acusa a direcção cessante, liderada por Nimi-a-Simbi, de estar a adiar a realização do congresso do partido com o objectivo de garantir a manutenção do actual presidente como cabeça de lista às Eleições Gerais de 2027.
Em conferência de imprensa realizada esta semana, Pedro Gomes afirmou que o mandato da actual direcção terminou a 21 de Setembro e contestou a intenção de realizar o congresso apenas em Novembro. Na sua avaliação, o adiamento deixaria o partido com pouco tempo para se organizar e preparar a participação nas eleições.
Segundo o candidato, a estratégia em curso poderá levar a FNLA a uma situação de fragilidade interna e financeira, além de limitar a possibilidade de escolha de uma nova liderança antes das eleições.
Pedro Gomes considera ainda que um congresso realizado nos moldes actualmente propostos poderá ser impugnado por alegadas violações dos estatutos do partido. O eventual recurso ao Tribunal Constitucional, acrescentou, poderá prolongar o processo até uma altura em que já não haja tempo para a FNLA escolher outro candidato às eleições de 2027.
O candidato rejeitou também a existência de alas dentro da FNLA e afirmou que a disputa resulta de divergências sobre a gestão do partido e sobre a competência dos diferentes órgãos na condução do processo congressual.
Pedro Gomes defende que qualquer decisão sobre a prorrogação do mandato ou alteração da data do congresso deve ser tomada pelo Comité Central, órgão que considera competente para deliberar sobre a matéria.
O candidato contestou igualmente as decisões que, segundo disse, terão sido tomadas pelo Bureau Político sobre o adiamento do congresso, alegando que essa não é uma competência daquele órgão.
Pedro Gomes pediu ainda ao Tribunal Constitucional um esclarecimento sobre o Acórdão 1134, por considerar que o documento está a ser interpretado de forma diferente dentro do partido.
Outra contestação apresentada pelo candidato está relacionada com a Comissão Nacional Preparatória do congresso, dirigida por Socki. Pedro Gomes afirma que a comissão não respeita os estatutos e defende que a sua criação deve resultar de uma reunião do Comité Central.
A FNLA atravessa uma nova crise interna, marcada por divergências sobre a liderança do partido, a composição da comissão preparatória e a realização do próximo congresso, num contexto de preparação para as Eleições Gerais de 2027.




