Angola assinalou, segunda-feira, em Roma, Itália, que a candidatura da embaixadora Josefa Sacko ao cargo de directora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) assenta numa experiência profissional sólida e profundamente ligada aos desafios da agricultura, do desenvolvimento rural, do ambiente e da cooperação internacional.
O posicionamento foi reafirmado pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, em representação do Chefe de Estado, João Lourenço, na cerimónia de lançamento oficial da campanha da candidatura da diplomata angolana Josefa Sacko, em representação do continente africano.
O acto decorreu numa das salas da sede da FAO e foi testemunhado por representantes do Presidente da União Africana, Évariste Ndayishimiye, e do presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf.
Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, destacou a rica trajectória profissional de Josefa Leonel Correia Sacko, ao longo da qual desempenhou importantes responsabilidades a níveis nacional, continental e internacional.
Perante parceiros internacionais, o ministro relembrou que a escolha do próximo director-geral da FAO cabe exclusivamente aos Estados-membros, reiterando que Angola respeita plenamente a soberania desse processo.
“O que vos apresentamos hoje é uma candidata com experiência, conhecimento e uma visão clara sobre os desafios que a Organização terá de enfrentar nos próximos anos”, disse o governante angolano, convidando as partes a conhecerem melhor a embaixadora Josefa Sacko, a dialogarem e a conhecerem as suas propostas para o futuro da Organização.
Entre os destaques do seu percurso profissional, o ministro das Relações Exteriores salientou o desempenho de Josefa Sacko no cargo de comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Desenvolvimento Sustentável.
Na sequência, o ministro sublinhou que a embaixadora Sacko compreende profundamente as carências do continente, dominando a dinâmica das instituições multilaterais. Segundo o governante, essa trajectória confere-lhe a capacidade de “construir soluções que tenham em conta as diferentes realidades dos Estados-membros”.
Angola, reforçou o ministro, acredita que a FAO deve continuar a ser uma organização capaz de transformar conhecimento em ação e compromissos em resultados concretos. O país defende uma instituição que coloque a ciência, a inovação e a tecnologia ao serviço da agricultura, apoiando os pequenos produtores e as comunidades rurais.
Para a delegação angolana, é prioritário que a Organização promova o investimento, facilite o acesso ao financiamento e aos mercados, fortaleça a cooperação entre blocos e contribua para que os sistemas agro-alimentares se tornem mais produtivos, inclusivos, resilientes e sustentáveis.
“Esta é a visão que a embaixadora Josefa Sacko submete à consideração dos Estados-membros. E é uma visão que Angola considera poder contribuir para aproximar ainda mais a FAO das necessidades concretas dos seus países membros”, sublinhou.
Durante a sessão, que registou uma forte presença de parceiros internacionais, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, voltou a sublinhar que a candidatura ontem apresentada conta com o apoio da União Africana, mas dirige-se a toda a comunidade internacional. O acto contou com a participação do ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, e da secretária de Estado para as Relações Exteriores, Esmeralda Mendonça.
Compromisso com diálogo e os interesses da FAO
Na ocasião, o ministro afirmou que a candidatura da embaixadora Josefa Sacko é aberta ao diálogo com todas as regiões e profundamente comprometida com os interesses da FAO, enquanto órgão universal.
Ao dar seguimento à campanha do continente, o chefe da diplomacia angolana recordou aos presentes que África tem muito a aprender com o mundo, mas também tem muito a oferecer. “O nosso continente possui recursos naturais, terras aráveis, biodiversidade e, sobretudo, uma população jovem que representa uma enorme força para a transformação dos sistemas agroalimentares. Precisamos de criar as condições para transformar esse potencial em produção, emprego, rendimento e desenvolvimento”, sublinhou o chefe da diplomacia angolana.
Téte António fez saber aos presentes que o país está pronto para trabalhar com os Estados-membros de todas as regiões, com espírito de abertura, respeito mútuo e compromisso com o multilateralismo.
O ministro salientou que a agência da ONU tem diante de si a responsabilidade fundamental de contribuir para um mundo onde ninguém fique para trás e onde a alimentação seja o alicerce do desenvolvimento, da estabilidade e da paz. Ao concluir a sua intervenção, o chefe da diplomacia sublinhou que Angola conta com a disponibilidade e o apoio de todos para o diálogo e para a construção de parcerias estratégicas.




