O programa de celebração do cinquentenário da admissão de Angola nas Nações Unidas (ONU), a assinalar-se a 1 de Dezembro deste ano, tem como objectivo principal valorizar o legado diplomático do país e reafirmar o seu papel estratégico na promoção da paz, da segurança e da estabilidade mundial.
As comemorações visam, ainda, reafirmar o compromisso de Angola com os princípios da Carta das Nações Unidas, apresentar a visão do país sobre o futuro do multilateralismo e da governação internacional, reforço da sua visibilidade internacional e da capacidade de participação e influência no sistema multilateral.
As directrizes do plano geral das festividades foram adiantadas pelo representante permanente de Angola junto da ONU, o embaixador Francisco da Cruz.
As declarações foram feitas recentemente a jornalistas em Nova Iorque, à margem da 81.ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, evento que assinala a consolidação do país como membro de pleno direito da organização internacional.
“As comemorações vão combinar diplomacia política, diplomacia pública e diplomacia cultural, permitindo, também, apresentar à comunidade internacional a história, a cultura, a identidade e as transformações de Angola. O mais importante será a sessão comemorativa, que contará com um momento político-diplomático”, informou o também embaixador angolano na ONU.
As celebrações, esclareceu o embaixador Francisco da Cruz, serão subordinadas ao tema “Celebrar o passado, valorizar o percurso realizado e projectar os próximos 50 anos da presença de Angola no sistema multilateral”.
O assinalar da efeméride, segundo o representante permanente de Angola nas Nações Unidas, representará, igualmente, uma oportunidade para o reafirmar do compromisso do país com a Carta da ONU, o direito internacional, o multilateralismo, a solução pacífica dos conflitos e a cooperação entre os Estados.
“A nossa intenção é reunir dirigentes das Nações Unidas, representantes dos Estados-membros, altos responsáveis angolanos, diplomatas, antigos representantes de Angola na ONU, personalidades ligadas à história das relações entre a Angola e as Nações Unidas e convidados especiais”, assegurou o representante permanente do país em Nova Iorque.
Téte António intervém na cerimónia jubilar
A cerimónia de celebração do cinquentenário da admissão de Angola nas Nações Unidas será marcada por uma abordagem abrangente, combinando sessões de resgate da memória histórica, actos de reconhecimento e reflexões estratégicas sobre o futuro do país no cenário internacional.
Um dos momentos mais marcantes do evento será o discurso do ministro das Relações Exteriores, Téte António. De acordo com o embaixador Francisco da Cruz, o chefe da diplomacia angolana vai abordar os marcos históricos da trajectória do país, destacando o significado da admissão de Angola nas Nações Unidas e o seu impacto na consolidação da soberania nacional.
Durante a participação na cerimónia, acrescentou o representante permanente na ONU, o chefe da diplomacia angolana deverá, ainda, esclarecer sobre o contributo de Angola para a transformação política da África Austral, a paz e a reconciliação nacional.
Entre as temáticas que serão abordadas pelo ministro das Relações Exteriores, destacam-se o histórico da participação de Angola no Conselho de Segurança, as acções de prevenção e mediação de conflitos, bem como a defesa intransigente da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional.
O chefe da diplomacia angolana trará ainda para o debate a urgência na reforma da governação global e a justa representação do continente africano nas instituições multilaterais.
A agenda encerra com reflexões sobre o desenvolvimento sustentável, os desafios contemporâneos do sistema internacional e a visão estratégica de Angola para os próximos 50 anos.
A Missão Permanente de Angola nas Nações Unidas prepara para a ocasião um acto de recepção que deverá reunir representantes dos Estados-membros da ONU, em Nova Iorque, dirigentes da ONU, diplomatas, parceiros institucionais, académicos, antigos representantes de Angola e membros da comunidade angolana. “A recepção apresentará a diversidade cultural do país por meio de uma selecção da gastronomia, música e elementos visuais da nossa identidade. Também serão exibidas imagens dos principais destinos e paisagens de Angola”, detalhou o embaixador Francisco da Cruz.
Missão vai publicar livro sobre trajectória na ONU
A Missão Permanente de Angola junto das Nações Unidas vai publicar o livro intitulado “Angola nas Nações Unidas – 50 anos de multilateralismo (1976-2026)”, uma obra dedicada a resgatar o percurso diplomático do país na organização.
Segundo o embaixador Francisco da Cruz, o livro pretende ser mais do que uma recordação das celebrações, constituindo-se como um registo histórico e diplomático de referência.
Como parte das comemorações do cinquentenário, será inaugurada uma exposição histórica com fotografias, documentos, discursos e vídeos de arquivo que retratam os principais períodos da relação entre Angola e a ONU.
O livro trará uma cronologia detalhada dessas cinco décadas, registos de discursos relevantes, a participação de Angola nos órgãos das Nações Unidas, mandatos internacionais e testemunhos de diplomatas, além de destacar a contribuição do país para a paz em África e reflexões sobre os desafios futuros.
“Uma atenção particular será dedicada às gerações de diplomatas que contribuíram para este percurso, incluindo uma homenagem póstuma a antigos ministros das Relações Exteriores e outras personalidades que marcaram a história da diplomacia angolana”, acrescentou.




