Cientista político defende transparência e literacia digital para proteger credibilidade eleitoral

O cientista político Eurico Gonçalves defendeu a necessidade de reforço da transparência institucional e da literacia digital como instrumentos essenciais para proteger a credibilidade dos processos eleitorais, face às crescentes preocupações relacionadas com a desinformação e influência digital.
Em declarações à Rádio Correio da Kianda, o académico comentou a investigação em curso em França sobre a alegada ligação de uma empresa israelita a operações de influência político-eleitoral em Angola, considerando que o caso deve ser analisado com “serenidade estratégica”.
Para Eurico Gonçalves, a questão central não se limita à alegada influência digital, mas sobretudo ao impacto que este tipo de revelações pode ter na confiança dos cidadãos nas instituições democráticas.
“Em África e em Angola, o maior risco é fragilizar a credibilidade das instituições eleitorais. A resposta adequada é mais transparência, supervisão e literacia digital”, afirmou.
O académico sublinhou que, na política contemporânea, a disputa também ocorre no espaço informacional, alertando, no entanto, que suspeitas não devem ser confundidas com provas concretas.
“Não existem, até ao momento, elementos públicos que demonstrem impacto eleitoral deste caso em Angola. O grande desafio é fortalecer a soberania informacional e consolidar uma cultura democrática baseada em evidências, confiança institucional e responsabilidade pública”, concluiu.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal francês Le Monde, uma empresa israelita identificada como BlackCore estará sob investigação em França, através da agência Viginum, entidade responsável pelo combate à interferência digital estrangeira, por alegadas operações de influência durante processos eleitorais.
As autoridades francesas apontam que a empresa poderá estar ligada a campanhas de manipulação de informação em diferentes contextos eleitorais, incluindo alegadas atividades em território angolano.


