Luanda – A equipa médica forense da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) já exumou três mil 104 casos em várias províncias do País, no âmbito da identificação dos lesados dos conflitos políticos em Angola.
Luanda – A equipa médica forense da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) já exumou três mil 104 casos em várias províncias do País, no âmbito da identificação dos lesados dos conflitos políticos em Angola.
A informação foi prestada esta quinta-feira, em Luanda, pelo médico legista Aurélio Ngueve, chefe da equipa médica forense da CIVICOP, no final da visita de constatação efectuada pelo Presidente da República, João Lourenço, às obras do futuro Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, cuja execução física atingiu 93,5 por cento.
Segundo o especialista, os trabalhos de identificação revestem-se de elevada complexidade, tendo em conta o período de cerca de cinco décadas decorrido desde os acontecimentos, factor que influencia directamente a qualidade dos vestígios encontrados e, consequentemente, a capacidade de identificação das vítimas.
“Nós temos um bom caminho andado, temos muito mais trabalho pela frente para fazermos, com uma complexidade enorme dado o tempo decorrido, porque estamos a falar de 50 anos”, explicou.
Aurélio Ngueve adiantou que, apesar dos desafios, a equipa tem procurado acompanhar a evolução tecnológica na área laboratorial, o que tem permitido obter resultados no processo de identificação.
“Temos estado a conseguir algumas respostas”, afirmou o médico legista, salientando a adaptação dos procedimentos laboratoriais às actuais inovações tecnológicas.
Quanto à distribuição geográfica dos trabalhos de exumação, indicou que cerca de 411 casos estão relacionados com as províncias, enquanto uma parte significativa dos restantes está ligada apenas a Luanda, particularmente ao antigo Centro 14.
O trabalho da CIVICOP enquadra-se no processo nacional de reconciliação e preservação da memória das vítimas dos conflitos políticos, visando contribuir para o esclarecimento dos acontecimentos e a dignificação daqueles que perderam a vida durante os períodos de instabilidade política e militar no país.
Espólio para o Memorial
O responsável informou que parte dos elementos e artefactos recolhidos no decurso das acções desenvolvidas pela CIVICOP deverá integrar o espólio do futuro Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos.
Referiu que a equipa está igualmente a trabalhar na preparação e conservação de peças e artefactos relacionados com as vítimas, tendo como referência experiências internacionais, particularmente no domínio museológico.
“Nessa perspectiva estamos bem, estamos no bom caminho e acreditamos que, à altura da inauguração, teremos presente no Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos parte do espólio e das peças que temos recolhido”, assinalou.
O médico legista explicou que o trabalho da comissão não se limita à componente forense, sendo multidisciplinar e incluindo uma equipa audiovisual responsável pela recolha e tratamento de conteúdos destinados a enriquecer o futuro espaço de memória.
Memória dos conflitos políticos
De acordo com Aurélio Ngueve, os conteúdos em preparação deverão permitir aos visitantes obter informação substancial sobre os acontecimentos que marcaram o País durante o período dos conflitos políticos.
Precisou que o enquadramento histórico do Memorial terá como referência principal o período de 1975 a 2002, embora a recolha de dados esteja a considerar informações a partir de 1974, de modo a proporcionar uma contextualização mais abrangente.AFL/SC




