Luanda – A Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) continua a extrair restos mortais no Cemitério do 14, em Luanda, depois de realizar mais de três mil exumações em todo o país.
Luanda – A Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) continua a extrair restos mortais no Cemitério do 14, em Luanda, depois de realizar mais de três mil exumações em todo o país.
A informação foi avançada esta terça-feira à imprensa, em Luanda, pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, no final da reunião de balanço da Comissão, que serviu para analisar os trabalhos realizados nos últimos 12 meses.
O governante indicou que, com a ajuda da Polícia e das comunidades, foi identificado mais um local, na província do Moxico, onde estão a ser retirados novos restos mortais de vítimas dos conflitos.
De acordo com Marcy Lopes, durante o período em referência, foram descobertos mais locais com valas comuns e estabelecidos contactos com as famílias das vítimas que permitiram atribuir certificados de registo de óbito e realizar uma série de actos, como a catalogação dos espólios identificados.
"Estamos a falar de aproximadamente três mil corpos ou restos mortais identificados com o apoio do Laboratório Central de Criminalística" disse.
O ministro disse ainda que, para as novas descobertas, já está em curso o processo de identificação das vítimas por via da recolha de DNA das famílias.
Nesta conformidade, apelou às famílias para se dirigir ao Laboratório Central de Criminalística e partilhar amostras de DNA, para permitir o cruzamento dos dados com os restos mortais encontrados e, consequentemente, confirmar-se a certificação da compatibilidade entre os intervenientes.
Marcy Lopes disse também tratar-se de um processo contínuo que leva algum tempo, mas garantiu que existem equipas técnicas a trabalhar e a dar todo o suporte necessário para que se consiga alcançar os objectivos.
A CIVICOP foi criada por despacho presidencial, em 2019, para coordenar o processo de localização, exumação, identificação e homenagem das vítimas dos conflitos políticos ocorridos em Angola, entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de abril de 2002.
Os trabalhos ganharam um impulso prático e operacional com a entrada em acção da Comissão de Averiguação e Certificação de Óbito das Vítimas dos Conflitos Políticos.
A partir desta fase, intensificaram-se as missões no terreno para a localização, exumação e testes laboratoriais de DNA para a identificação dos restos mortais.MGM/SC




