Luanda – O Conselho das Igrejas Cristãs em Angola (CICA) apelou, esta quarta-feira, em Luanda, ao perdão, ao amor e à reconciliação entre os angolanos, como pilares fundamentais para a consolidação da paz e a construção de um futuro livre de divisões e conflitos.
Luanda – O Conselho das Igrejas Cristãs em Angola (CICA) apelou, esta quarta-feira, em Luanda, ao perdão, ao amor e à reconciliação entre os angolanos, como pilares fundamentais para a consolidação da paz e a construção de um futuro livre de divisões e conflitos.
Na mensagem proferida, pelo bispo Gaspar Domingos, durante a inauguração do Memorial “Aliança Eterna”, o CICA afirmou que Angola precisa de superar as feridas do passado, através do perdão, da justiça, do arrependimento sincero e do respeito pela dignidade humana.
Com base na passagem bíblica de II Crónicas 7:14, que exorta à humildade, à oração e ao abandono dos maus caminhos, o responsável identificou três dimensões essenciais para a reconciliação, nomeadamente com Deus, com o próximo e com a própria terra.
“Chegou o momento de olharmos uns para os outros não como inimigos, mas como irmãos, unidos pela mesma pátria e criados à imagem do mesmo Deus”, declarou.
O líder religioso recordou que Angola tem uma história marcada por conflitos, sofrimento, divisões e perdas humanas, cujas consequências permanecem na memória de muitas famílias.
Neste contexto, considerou que a inauguração do memorial não constitui apenas um acto protocolar, mas também um gesto de justiça histórica, destinado a preservar a memória das vítimas e a transmitir às novas gerações os ensinamentos do passado.
Recordou, igualmente, o papel desempenhado pelas igrejas durante os períodos mais difíceis da guerra, através do Comité Intereclesiástico para a Paz em Angola (COEPA), constituído pelo CICA, pela Convenção das Igrejas Adventistas do Sétimo Dia (CIASD) e pela Aliança Evangélica de Angola (AEA).
O representante do CICA evocou ainda a visita pastoral do Papa João Paulo II a Angola, em 1992, durante a qual o líder da Igreja Católica orou pelo fim da guerra no país, precisamente no local onde foi erguido o memorial.
Perdão exige verdade e justiça
Na sua mensagem, o responsável sublinhou que perdoar não significa apagar a história, negar as injustiças ou ignorar o sofrimento das vítimas, mas impedir que o ódio continue a comprometer o presente e o futuro das novas gerações.
Defendeu, por isso, que a reconciliação efectiva exige verdade, justiça, arrependimento sincero e respeito pela dignidade de cada cidadão, além do abandono de atitudes de vingança, tribalismo, intolerância e outras formas de divisão.
Apelou a cada angolano para assumir o compromisso de promover a paz na família, na comunidade, nas igrejas e na sociedade.
Exortou os dirigentes a servirem o povo com justiça, os jovens a privilegiarem o diálogo em detrimento da violência e os mais velhos a transmitirem às novas gerações valores de respeito, união e amor ao próximo.
O religioso salientou que Angola pertence a todos os cidadãos, independentemente da região, língua, cultura ou orientação política, e defendeu a valorização da diversidade como factor de unidade nacional.
“Angola é a casa de todos os angolanos”, afirmou, ao destacar a responsabilidade colectiva de construir uma sociedade onde todos possam viver com paz, dignidade e esperança.
Na sua mensagem, apelou também à solidariedade para com as vítimas dos conflitos, à recuperação dos laços entre famílias e comunidades separadas e à transformação das diferenças em oportunidades de entendimento.
“Angola precisa de menos ódio e mais amor, menos divisão e mais união, menos vingança e mais justiça, menos palavras de guerra e mais atitudes de paz”, declarou.
Localizado no município da Ingombota, na zona da Nova Marginal, junto ao Memorial Dr. António Agostinho Neto, o empreendimento pretende valorizar a memória das vítimas dos conflitos políticos e promover uma consciência colectiva assente no conhecimento da história e na rejeição da violência.
Com 35 metros de altura e nove pisos, o Memorial “Aliança Eterna” é constituído por dois blocos articulados entre si, cuja configuração evoca um abraço, símbolo de reconciliação e de pedido de perdão entre os angolanos.
O complexo integra um edifício técnico, uma loja de recordações, um espaço de acervo digital, uma sala de convenções e exposições, um parque de estacionamento com capacidade para 106 viaturas e uma praça com áreas paisagísticas destinadas aos visitantes.
O projecto combina arte, engenharia e arquitectura, com inspiração na ancestralidade e nas expressões culturais das diferentes regiões do país**. ART**




