O Presidente da República considerou, ontem, em Luanda, que a construção do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos representa o culminar de um profundo processo de cura, perdão e pacificação nacional. Para o Chefe de Estado, o monumento simboliza o serenar das almas, a união entre os cidadãos e um reencontro definitivo com a História do país.
João Lourenço fez estas declarações na mensagem deixada no Livro de Honra do Memorial, localizado na zona da Praia do Bispo. A infra-estrutura fica situada junto à Nova Marginal de Luanda, nas proximidades da Assembleia Nacional e do Memorial Dr. António Agostinho Neto.
O Chefe de Estado ressaltou que a arquitectura do edifício, desenhada no formato de um abraço, simboliza o valor mais significativo para um povo: a união. Para João Lourenço, o monumento representa o encurtamento de distâncias entre partes antes desavindas, o perdão, o acolhimento e a superação de mágoas, rumo a um futuro de mãos dadas e corações sarados.
“A construção da nossa História compreende momentos bons e maus, e todos eles serviram para fortalecer os pilares da nossa Nação”, prosseguiu o Presidente.
“Hoje, solidificámos mais um pilar dessa história: o da reconciliação, da compreensão e do perdão, dando provas de que só é possível construir um país com união e solidariedade”, destacou o Presidente da República.
O Chefe de Estado afirmou ainda que, com o acto, o país transforma a dor em cura e o passado em história. “Honramos a memória dos nossos compatriotas que pereceram em momentos e circunstâncias complexas”, evocou.
O Chefe de Estado enfatizou que o monumento ora inaugurado representa o selo do compromisso vivo de que todos importam e que “tudo faremos para que a nossa História seja conhecida e compartilhada”.
João Lourenço referiu que a memória registada naquele lugar e eternizada com este monumento servirá para que as gerações vindouras compreendam as várias nuances do percurso do país, não permitindo que o passado se apague nem que os erros se repitam. “Hoje, encerrámos um capítulo da nossa História e, com ele, solidificámos o princípio que nos norteia: um só povo, uma só nação”, atestou o Chefe de Estado, que se fez acompanhar da Primeira-Dama da República.
Após o descerramento da placa e o corte da fita, que simbolizaram a inauguração oficial do Memorial, o Presidente da República efectuou uma visita guiada às várias áreas e salas de exposição do monumento.
Acompanhado por altas figuras do aparelho de Estado, membros do Executivo, representantes da sociedade civil e líderes dos partidos políticos — com destaque para o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior —, o Chefe de Estado observou o diversificado espólio exposto, que retrata os conflitos ocorridos no país entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002.
Símbolo da História do país
O coordenador da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), Marcy Lopes, considerou que o Memorial representa uma profunda manifestação de respeito aos acontecimentos do passado e um símbolo vivo da História de Angola.
Ao intervir na cerimónia solene de inauguração, Marcy Lopes frisou que a imponência majestosa do edifício traduz o espírito do perdão, da cura colectiva, do serenar das almas e da superação de mágoas.
“A história que hoje se regista nas paredes deste monumento foi escrita com sangue, suor e lágrimas”, lembrou o também ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, sublinhando que os próprios angolanos foram os protagonistas de todo o processo de pacificação.
Para o responsável, a obra é o resultado de uma visão e de uma vontade inabalável de realizar. “Aqui, o abraço solidário virou um monumento com histórias e significados, erguido para lembrar a todos, e às gerações vindouras, que o acolhimento mútuo é a primeira opção para nos mantermos unidos como país, como irmãos e como filhos de uma única pátria”, destacou.
Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi no Memorial
No conjunto dos espólios patentes no Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, está uma fotografia que junta os líderes dos três movimentos de libertação nacional, nomeadamente António Agostinho Neto, do MPLA, Holden Roberto, da FNLA, e Jonas Savimbi, da UNITA.
Além da fotografia, estão expostas ao lado as bandeiras dos respectivos movimentos de libertação nacional, bem como as peças de vestuário utilizadas pelos líderes naquele registo histórico.
O registo fotográfico refere-se à presença dos três líderes em Alvor, na região do Algarve, Portugal, no momento da assinatura do histórico Acordo de Alvor.
O tratado definiu as directrizes para a partilha de governação, tendo sido desenhado com o propósito de equilibrar as forças políticas entre os três movimentos após a proclamação da Independência.
O Acordo de Alvor é o documento que definiu o quadro jurídico da transição para a Independência Nacional e determinou o dia 11 de Novembro de 1975 como a data para a sua proclamação.
Assinado na vila de Alvor, na região do Algarve, em Portugal — o que deu origem ao nome do tratado —, o documento foi firmado a 15 de Janeiro de 1975 entre o Governo português e os três movimentos de libertação nacional reconhecidos pela potência colonial.
Para a prossecução da transição, foi criado, nos termos do referido Acordo, um Governo de Transição formado por integrantes dos três movimentos de libertação nacional e do Governo português.




