A criminalidade geral em Angola registou uma redução de 10,1 porcento no primeiro semestre deste ano, enquanto os crimes cometidos com recurso a armas de fogo diminuíram 16,5 por cento.
Os dados foram apresentados esta quarta-feira, 19 de Agosto, pelo comandante-geral da Polícia Nacional, comissário Francisco Ribas da Silva, no final da reunião do Conselho de Segurança Nacional, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço, no Palácio Presidencial, em Luanda.
Segundo o comissário, da avaliação feita pelas autoridades de segurança pública, a situação no país mantém-se estável, com livre circulação de pessoas e bens em todo o território nacional.
“Não existem situações anormais que colocassem em causa a segurança no geral ou que impedissem a livre circulação de pessoas e bens”, esclareceu.
Os resultados apresentados apontam ainda para uma redução de 5 por cento da criminalidade violenta e de 13,7 nos crimes de roubo, enquanto os homicídios diminuíram 2,5 e os casos de violência doméstica registaram uma queda de 0,9.
Francisco Ribas da Silva apontou igualmente para uma diminuição de 22,6 por cento nos crimes de violação sexual e de 17 por cento na violência sexual, no balanço das operações realizadas durante o semestre.
Os resultados são atribuídos a medidas de prevenção e repressão criminal, incluindo cerca de oito mil micro-operações de buscas dirigidas, realizadas pelas forças de segurança, de acordo com o comandante-geral da Polícia Nacional.
Apesar da evolução positiva, o responsável reconhece a existência de zonas que continuam a exigir uma intervenção permanente, que deverá passar pelo reforço da prevenção e pela cooperação com as populações, parceiros locais e empresários, com objectivo de reduzir o sentimento de insegurança.
“Penso que é visível nos dias de hoje não ocorrerem crimes de forma espectacular, que ocorria há algum tempo, com armas de fogo, elementos em motorizadas nas zonas urbanas e periurbanas”, sublinhou.
GARIMPO E IMIGRAÇÃO ILEGAL SOB CONTROLO
A exploração ilegal de minerais estratégicos e a imigração ilegal registaram uma redução significativa em Angola, segundo o comandante-geral da Polícia Nacional.
O comissário Francisco Ribas da Silva esclareceu que as zonas consideradas mais críticas, no que diz respeito ao garimpo e à exploração ilegal de ouro, incluindo áreas das províncias do Huambo e do Bengo, encontram-se actualmente sob maior controlo das autoridades e dos órgãos de Polícia.
“Hoje em dia, nota-se uma redução substancial, visível e com o controle destas zonas por parte das autoridades e órgãos de Polícia”, referiu.
No domínio da imigração, revelou que foi executado um plano operacional que permitiu retirar do território nacional aproximadamente 53 mil cidadãos de outras nacionalidades que se encontravam ilegalmente em Angola.
Segundo o responsável, parte destes cidadãos estaria igualmente envolvida em actividades criminosas tais como a exploração ilegal de diamantes e o negócio ilícito de material ferroso.
“Isto fez com que os órgãos, as autoridades, pudessem tomar as medidas que se impusessem e pudermos repor à ordem”, sublinhou.
Apesar dos resultados apresentados, Francisco Ribas da Silva reconheceu que permanecem desafios e que o trabalho das forças de segurança terá de prosseguir.
INTERVENÇÃO DA POLÍCIA NACIONAL NO UÍGE
O incidente ocorrido no Uíge, a 8 de Agosto, não esteve na agenda da reunião do Conselho de Segurança Nacional, de acordo com o comandante-geral da Polícia Nacional que justificou a intervenção policial como uma acção destinada a repor a ordem e garantir o funcionamento das instituições.
No final da reunião, Francisco Ribas da Silva esclareceu que a instituição que dirige é “uma polícia republicana ao serviço do cidadão”, independentemente da cor partidária ou origem de cada angolano.
“A polícia existe para repor a ordem, garantir a manutenção da segurança pública, para garantir a estabilidade e o normal funcionamento das instituições”, ressaltou.
O comandante-geral referiu que a intervenção ocorreu numa altura em que a autoridade máxima local estava a ser “desautorizada”, tendo a Polícia recorrido, à luz da Lei e dos Regulamentos, ao poder da autoridade para repor a ordem e restabelecer o normal funcionamento da zona.
“A Polícia recorreu ao poder da autoridade para que o poder da autoridade fizesse jus, com base nas ferramentas disponíveis e legais”, salientou.
Os incidentes de 8 de Agosto, opuseram forças policiais e militantes da UNITA, que acusam as autoridades de terem impedido, pela força, a realização de um acto de homenagem a Jonas Savimbi, tendo resultado em dezenas de feridos.



