O jurista David Mendes considera que Higino Carneiro pode ser afastado do Comité Central do MPLA, caso mantenha uma postura que, na sua interpretação, esteja a dividir e a fragilizar o partido.
Em declarações este sábado, 26, à Rádio Correio da Kianda, no programa Tribuna Livre, David Mendes afirmou que um militante com a experiência política de Higino Carneiro não deve levar para o espaço público assuntos internos do partido.
Segundo o jurista, a exposição pública de questões internas pode criar pressão de fora para dentro e trazer consequências para o militante.
“Ele não está a somar, está a dividir”, afirmou David Mendes, acrescentando que, dentro de qualquer partido, os militantes que contribuam para a divisão interna podem enfrentar consequências.
David Mendes disse acreditar que Higino Carneiro poderá ser afastado do Comité Central do MPLA, embora tenha frisado que não pretende fazer “futurologia”.
“Não quero ser futurista, mas acredito que ele vai ser afastado do Comité Central”, afirmou.
Para sustentar a sua previsão, o jurista recordou os casos de Marcolino Moco e Lopo do Nascimento, que, segundo afirmou, também foram afastados em períodos anteriores devido a divergências e posições que, na altura, não eram aceites pela direcção do partido.
David Mendes considera que Higino Carneiro está a seguir um caminho semelhante ao levar para fora do MPLA questões que deveriam, na sua opinião, ser tratadas internamente.
“Este militante está a destruir o partido, e quem está a destruir o partido é afastado”, afirmou.
O jurista rejeitou ainda a ideia de que Higino Carneiro tenha demonstrado serenidade numa recente conferência de imprensa. Na sua leitura, o antigo dirigente estava, antes, mais consciente da situação política em que se encontra.
David Mendes afirmou também que as relações públicas de Higino Carneiro com figuras de outros partidos devem ser analisadas dentro do actual contexto de disputa pela liderança do MPLA.
As declarações de David Mendes surgem num momento de disputa interna pela liderança do MPLA, com a candidatura de Higino Carneiro à presidência do partido a ser contestada no processo preparatório do IX Congresso Ordinário.




