O Debate de Alto Nível da 81.ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas encerra hoje, em Nova Iorque, após uma semana de intensos debates ao mais alto nível, no qual se juntaram Chefes de Estado e de Governo de 193 países para discutir estratégias e soluções para os problemas mundiais e o estado actual da Organização.
Entre as presenças no evento, destaca-se o Presidente João Lourenço, que regressou ontem ao país, depois de ter participado e discursado no Debate Geral, logo no primeiro dia, na maior tribuna da diplomacia global.
Antes da sessão de encerramento, estão previstas, para hoje, intervenções de vários países como o Mali, Eritreia, Burkina Faso, Congo, El Salvador, Malawi, Benin, Sri Lanka, Argélia, Sudão, Sudão do Sul, Emirados Árabes Unidos, Nova Zelândia, Turquemenistão, Granada, Sudão do Sul, Dinamarca, Costa Rica, entre outros.
Subordinado ao tema “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação: Uma Organização das Nações Unidas que Produz Resultados para Todos”, o evento fica marcado por posicionamentos incisivos sobre a necessidade urgente de se reconfigurar a Organização, em particular o seu Conselho de Segurança, com a inclusão de membros permanentes de África, América e Ásia.
Diante dos desafios globais, regionais e multilaterais, os líderes mundiais foram unânimes em alguns pontos, com enfoque no apelo ao combate ao terrorismo, fim dos conflitos, à pacificação do Leste da RDC, da região da Faixa de Gaza e a criação do Estado da Palestina.
No seu discurso, o Estadista angolano chegou a sublinhar que “assistimos hoje ao envolvimento directo de alguns membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas nos conflitos mais sangrentos e destruidores da actualidade na Europa e no Golfo Pérsico, o que constitui motivo de preocupação e um mau exemplo para o resto do mundo”.
Esses países prestaram um grande serviço quando livraram a humanidade dos horrores do nazismo, do fascismo e do holocausto, devendo por isso preservar esse capital e legado de libertadores.
Na senda da reforma do Conselho de Segurança da ONU, João Lourenço defendeu a inclusão de África, da América Latina e da Ásia, tendo acentuado que os mesmos devem estar adequadamente representados, na condição de membros permanentes, com todos os poderes inerentes.
Na sede das Nações Unidas, o Estadista angolano voltou a advogar pela reestruturação imediata da arquitectura financeira internacional, para torná-la mais justa, equitativa, democrática e orientada para o progresso e o bem-estar da Humanidade.
João Lourenço lamentou a subalternização e violação das regras que regem as relações internacionais, prevalecendo a lógica da força, da intimidação e da imposição de valores que decorrem da visão unilateral de alguns países na defesa de seus exclusivos interesses.
“Condenamos o genocídio contra populações indefesas, velhos, mulheres, crianças, doentes acamados, profissionais de saúde, jornalistas e trabalhadores de organizações humanitárias internacionais, muitas vezes privados do acesso aos mais elementares direitos do ser humano, de bens essenciais à vida como água, alimentos e medicamentos”, disse.
A tentativa de dominação, pela força das armas, de países e regiões inteiras do globo, segundo o Presidente da República, vem conduzindo o mundo para uma situação de catástrofe.
Agenda diplomática
O Presidente da República, que se fez acompanhar da Primeira-Dama, Ana Dias Lourenço, desenvolveu uma agenda de trabalho corrida à margem da Assembleia-Geral, com realce para encontros com o Secretário- Geral da ONU, António Guterres, com o homólogo da Áustria, Alexander Van der Bellen, e com os Primeiros-Ministros do Canadá e de Portugal.




