Luanda – Uma delegação multissectorial angolana participa desde segunda-feira, em Doha (Qatar), de uma formação especializada sobre ataques de Ransomware (software malicioso), promovida pelo Centro Regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
Luanda – Uma delegação multissectorial angolana participa desde segunda-feira, em Doha (Qatar), de uma formação especializada sobre ataques de Ransomware (software malicioso), promovida pelo Centro Regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
De acordo com uma nota de imprensa da missão angolana neste país, ela visa o reforço das capacidades técnicas e investigativas dos participantes para a prevenção, identificação, investigação e resposta aos ataques de ransomware, fenómeno que constitui actualmente uma das mais relevantes ameaças à segurança dos sistemas e redes de informação, com particular incidência sobre instituições e infra-estruturas críticas públicas, empresas e sectores estratégicos.
Integram a delegação nesta acção formativa, que tem a duração prevista de uma semana, quadros da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Serviço de Investigação Criminal (SIC).
O programa contempla diversos módulos, com abordagem aos diferentes tipos de ransomware, principais grupos criminosos envolvidos neste tipo de criminalidade, respectivos modos de actuação e metodologias de ataque.
Estarão ainda em abordagem as técnicas de obtenção de acesso inicial aos sistemas, movimentação lateral nas redes comprometidas, exfiltração e encriptação de dados, formulação de pedidos de resgate e mecanismos de pagamento ou recuperação.
Ainda de acordo com a nota, durante a formação será também dada uma especial atenção às modalidades de extorsão, em que os grupos criminosos, além da encriptação dos sistemas, procedem previamente à extracção de informação das vítimas utilizando posteriormente a ameaça de divulgação dos dados como instrumento adicional de pressão para o pagamento do resgate.
A formação aborda ainda medidas de mitigação e resposta a incidentes, técnicas e metodologias de investigação, análise dos métodos utilizados pelos diferentes grupos de ransomware, identificação e preservação de evidências digitais, estudo de casos e análise de vítimas.
Com isso, esclarece a nota, procura-se proporcionar aos participantes instrumentos que permitam compreender todo o ciclo de um ataque, desde o acesso inicial à infra-estrutura da vítima até à fase de extorsão e eventual recuperação dos sistemas.
Durante os trabalhos será igualmente analisado o panorama regional da ameaça, com particular incidência sobre Angola, Moçambique e outros países da África Austral, incluindo a actividade de grupos de ransomware e de cibercriminalidade organizada que têm acções direccionadas a ataques contra instituições governamentais, telecomunicações, energia, saúde, transportes, sector financeiro, indústria e outras infra-estruturas relevantes.
Um ransomware é um software malicioso (malware) que sequestra os dados de um computador ou trava o sistema da vítima por meio de criptografia, exigindo o pagamento de um resgate financeiro — geralmente em criptomoedas — em troca da chave que libera o acesso aos arquivos.
A participação angolana insere-se no quadro do reforço da capacidade nacional de investigação da cibercriminalidade e tratamento da prova electrónica, bem como do aprofundamento da cooperação internacional, tendo em conta a natureza transnacional dos ataques de ransomware e a necessidade de articulação entre autoridades judiciárias, órgãos de investigação criminal e parceiros internacionais para a identificação dos seus autores e consequente responsabilização criminal.
A sessão de abertura da acção formativa contou com a presença do embaixador de Angola no Qatar, António Cruz, o chefe-adjunto do Centro Regional do UNODC para o Combate ao Cibercrime, Jassim Al Kuwari, e do Encarregado de Negócios de Moçambique, Miguel Tungadza. SC




