Os aspectos inerentes à criação das condições de acomodação para as delegações dos países participantes da 4.ª edição da Bienal de Luanda dominaram, ontem, na capital do país, o encontro que a Comissão Multissectorial manteve com o Corpo Diplomático acreditado em Angola.
Promovida pelo Ministério das Relações Exteriores, a reunião permitiu esclarecer dúvidas sobre a organização do evento, com realce para a participação de nações não africanas.
À saída da audiência, o secretário de Estado para a Comunicação Social e porta-voz do evento, Nuno Caldas, revelou que o encontro foi bastante frutífero e interactivo.
“A Comissão conseguiu apresentar o site oficial, bem como as directrizes do antes, durante e pós-evento”, explicou, acrescentando que a organização se sentiu regozijada com as sugestões apresentadas pelos diplomatas, quer a nível organizacional, quer na vertente cultural.
Durante a sessão, foi também partilhado o programa geral que vai guiar os debates. O tema central desta edição foca-se na gestão hídrica, sob o lema “Reforço da governação da água em África como instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos”.
Segundo Nuno Caldas, a temática não deve ser entendida apenas sob a perspectiva ambiental ou económica, mas fundamentalmente como uma questão de paz e segurança continental.
O responsável alertou para o facto de a gestão dos recursos hídricos partilhados entre nações africanas requerer uma diplomacia preventiva eficaz.
Para o porta-voz da Bienal de Luanda, o acesso à água potável e o controlo das bacias hidrográficas transfronteiriças são factores críticos que, se não forem governados com base no diálogo e na cooperação jurídica, podem transformar-se em focos de instabilidade regional, tornando este debate indissociável da agenda de segurança da União Africana.
O certame servirá de palco para que Chefes de Estado, de Governo e líderes juvenis partilhem o mesmo espaço de diálogo na busca por soluções para os conflitos que o continente ainda enfrenta.
O programa prevê um diálogo intergeracional e um encontro ecuménico africano — coordenado pelo Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA) —, focado na exaltação da cultura e do papel da mulher africana.“Será um momento de interacção e partilha, um espaço para que os jovens possam debater as suas ideias e encontrar, junto dos estadistas, um ponto de convergência rumo às grandes aspirações do continente”, sublinhou o secretário de Estado para a Comunicação Social e porta-voz do evento.




