Discurso de João Lourenço no lançamento da campanha "Construir para Mulheres e Raparigas"

O Presidente da República, João Lourenço, discursou, esta quinta-feira, no lançamento da campanha "Construir para Mulheres e Raparigas: Clima, Conflitos e Futuros Sustentáveis", que decorre em Luanda.
Eis o discurso na íntegra:
Discurso de Sua Excelência João Manuel Gonçalves Lourenço, Presidente da República de Angola, por ocasião da Cerimónia de Abertura da Gala da Organização das Primeiras-Damas Africanas para o Desenvolvimento (OAFLAD) e do Lançamento da Campanha “Construindo Resiliência”
-Suas Excelências Primeiras-Damas Africanas,
-Excelência Dra Fátima Maada Bio, Primeira-Dama da República da Serra Leoa e Presidente da Organização das Primeiras-Damas Africanas para o Desenvolvimento (OAFLAD),
-Excelência Dra. Ana Afonso Dias Lourenço, Primeira-Dama da República de Angola e Vice-Presidente da OAFLAD,
-Distintos Convidados,
É com grande satisfação que me dirijo a Vossas Excelências neste evento de lançamento da Campanha “Building Resilience”, momento que aproveito para realçar o grande papel que as Primeiras-Damas de África desempenham, no âmbito da Organização das Primeiras-Damas Africanas para o Desenvolvimento, a OAFLAD.
Permitam-me expressar as minhas mais sinceras felicitações e o meu profundo reconhecimento a esta Organização, pelo notável trabalho de advocacia, liderança e mobilização que vem desenvolvendo em prol de causas que impactam positivamente o continente africano.
Gostaria de reconhecer, igualmente, a importância das iniciativas de grande relevância concebidas e implementadas pela OAFLAD, com enfoque na transformação social e no desenvolvimento sustentável.
Estas iniciativas têm contribuído, de forma significativa, para a promoção da igualdade do género, para o empoderamento das mulheres e das jovens e para a melhoria das condições de vida das comunidades mais vulneráveis do nosso continente.
Através deste trabalho, a OAFLAD reafirma o papel fundamental das Primeiras-Damas Africanas na promoção de políticas e acções que respondem aos desafios sociais que hoje se colocam ao nosso continente.
A Organização tem prestado, nas últimas duas décadas, um contributo essencial para a construção de uma África mais justa, inclusiva, sustentável e resiliente, para que mulheres de todas as faixas etárias possam participar plenamente no desenvolvimento das suas comunidades e na construção do futuro do continente.
É importante reconhecer que, ao longo deste tempo, a OAFLAD tem posto em marcha iniciativas de reconhecido mérito na promoção da equidade e do bem-estar das populações africanas, registando conquistas significativas e duradouras, com reflexo directo na melhoria das condições de vida das comunidades mais vulneráveis do nosso continente.
Entre as suas principais realizações, merece especial destaque a campanha “Somos Todos Iguais”, que se constituiu como uma plataforma estratégica de sensibilização, mobilização e advocacia, unindo diferentes actores em torno de uma causa comum, em que sobressaíram valores fundamentais, nomeadamente os da igualdade, inclusão, justiça social e do respeito pela dignidade da pessoa humana.
Essa campanha trouxe à luz a grande capacidade da OAFLAD para mobilizar consciências, fortalecer parcerias e impulsionar acções concretas em favor de uma África mais equitativa e inclusiva.
É neste contexto que se deve considerar que a construção de uma paz sustentável e de uma segurança efectiva em África requer a participação plena, inclusiva e significativa das mulheres em todas as fases dos processos de paz, por serem pilares fundamentais na prevenção, na resolução dos conflitos e no desenvolvimento do continente.
A este propósito, considero oportuno referir que mereceu um destaque muito especial, na recente Cimeira da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, realizada em Luanda sob o lema “Um Apelo à Paz, ao Fim das Guerras e ao Respeito pelo Direito Internacional”, a presença de mulheres, em que ficou patente o seu contributo activo à ideia da necessidade do reforço do diálogo, da tolerância, da compreensão mútua e da coexistência pacífica entre os povos, num contexto internacional marcado pelo recrudescimento de conflitos, de tensões geopolíticas e de crises humanitárias.
Naquela Cimeira, os participantes vindos de diferentes cantos do mundo reafirmaram o seu compromisso com a construção de uma cultura de paz baseada no multilateralismo, na solidariedade entre as nações e na procura de soluções pacíficas para os desafios que afectam a Humanidade.
Em Angola, levamos muito a sério as questões relacionadas com a estabilidade e a segurança em África e no mundo e, por esta razão, na nossa agenda nacional, assumem grande prioridade as iniciativas diplomáticas em prol da paz, de que pretendo realçar o 4.º Fórum Pan-africano para a Cultura de Paz e Não-Violência “Bienal de Luanda”, a ter lugar no próximo mês de Outubro, para o qual gostaríamos de poder contar com uma participação expressiva de mulheres africanas.
A vossa determinação e entrega às causas nobres tem-vos levado a conquistar uma presença cada vez mais expressiva nos diferentes domínios da vida pública e privada de África, contribuindo activamente para a transformação das comunidades, para o fortalecimento das sociedades e para o progresso das nações africanas.
As mulheres africanas são hoje um pilar essencial do desenvolvimento sustentável das famílias através da sua acção no sector agrário, como protagonistas na agricultura familiar, na produção alimentar e na garantia da segurança alimentar e nutricional das comunidades.
-Excelências Primeiras-Damas Africanas,
Ao longo de gerações, as mulheres africanas foram-se impondo nas nossas sociedades como factores de equilíbrio no seio das famílias e das comunidades, de transmissão de valores culturais, éticos e morais e de princípios que orientaram destacadas figuras do nosso continente na condução dos destinos de África.
Adquiriram, por mérito próprio, o direito inalienável ao seu espaço de intervenção em todos os aspectos da vida social, política e económica das nossas nações e deve-se, por isso, prestar-lhes toda a atenção que merecem, para que possam pôr em evidência as suas valências, habilidades, capacidades intelectuais e técnicas e trabalhar sem constrangimentos em favor da construção de nações prósperas, resilientes e alinhadas com os objectivos do progresso e desenvolvimento.
É necessário que às mulheres do meio rural e agricultoras africanas, que representam uma parcela muito significativa da força de trabalho no nosso continente, se lhes proporcione maior acesso aos recursos produtivos, ao conhecimento e à capacitação, à inovação tecnológica, ao financiamento e às políticas eficazes de adaptação climática.
Investir na mulher é reconhecer o seu papel como agente de transformação, de resiliência das comunidades e como promotora da segurança alimentar e nutricional.
-Excelentíssimas Primeiras-Damas Africanas,
-Caras Participantes e Convidados,
Somente num ambiente de paz, de estabilidade e de cooperação, será possível criar as condições necessárias para que mulheres e homens, em plena igualdade, possam enfrentar os desafios globais da actualidade, entre os quais os das alterações climáticas.
A participação activa das mulheres nesse esforço é essencial para reforçar a resiliência das comunidades, promover um desenvolvimento sustentável e construir um futuro mais inclusivo, seguro e próspero para África, o que leva a República de Angola a posicionar-se a favor das causas defendidas pela OAFLAD, que tem um papel fundamental na promoção do bem-estar das mulheres e raparigas africanas.
Embora este evento tenha um propósito claramente definido, aproveitamos esta oportunidade para realçar a importância de os governos africanos também contarem com a OAFLAD como parceira na superação de outros desafios que afligem as nossas sociedades, particularmente na luta contra a pobreza, o analfabetismo, o abandono escolar e a gravidez precoce das meninas.
A República de Angola associa-se aos esforços colectivos de mobilização de recursos, integrando o conjunto das contribuições financeiras destinadas a apoiar a implementação das iniciativas e acções da Organização, no âmbito da Campanha “Construir a Resiliência das Mulheres e Raparigas face às Alterações Climáticas e aos Conflitos”.
Reafirmamos o nosso compromisso com o desiderato comum de promover a resiliência, a protecção e o empoderamento das mulheres e raparigas africanas.
Angola vai prestar uma contribuição financeira, num valor já comunicado à Presidência da Organização, destinada a apoiar a execução das iniciativas e actividades previstas no quadro da anunciada Campanha.
Reitero a nossa convicção de que, através de uma acção conjunta e solidária, será possível construírem-se comunidades mais resilientes, sociedades mais justas e um continente onde todas as mulheres e raparigas possam desenvolver integralmente o seu potencial e contribuir para o desenvolvimento sustentável de África.


