A candidata africana à liderança da FAO definiu como meta inicial do seu programa de governação estabelecer 50 pactos nos primeiros 24 meses de mandato, caso vença a corrida eleitoral. Deste total, pelo menos 60% dos acordos deverão incluir objectivos explícitos de resiliência climática para o sector agro-alimentar global.
Ao tomar a palavra após o lançamento oficial da campanha em Roma, Josefa Sacko destacou que, entre os 50 pactos planeados, um será inteiramente dedicado à renovação institucional nos primeiros 100 dias. Este plano inicial será elaborado conjuntamente com os Estados-membros, a direcção e os funcionários, com o objectivo de eliminar os entraves ao funcionamento da organização.
Neste contexto, a candidata propôs a criação de “Pactos Voluntários de Resultados para Países Livres da Fome”. A iniciativa assenta em metas definidas pelos próprios Estados, apoiadas numa carteira única de investimentos e numa clara divisão de responsabilidades entre a FAO, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e os seus parceiros estratégicos.
A candidata defendeu a consolidação das conquistas da FAO com o intuito de torná-las ainda mais fortes, tecnicamente independentes, mais ágeis e mais próximas dos países.
“A nossa missão consiste em transformar os compromissos globais em resultados visíveis para as populações: uma FAO que não se limite a descrever a fome, mas que ajude os países a acabar com ela”, acentuou Josefa Sacko.
No âmbito das prioridades estabelecidas, Sacko reforçou a importância de alinhar grandes iniciativas globais às prioridades nacionais. Entre elas, destacou a Agenda de Kampala para África, a Iniciativa de Desenvolvimento Global da China, os Princípios de Deccan da Índia, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza do Brasil, a iniciativa Global Gateway da União Europeia, o programa “Feed the Future” dos Estados Unidos e as directrizes do G20.
A engenheira agrónoma compromete-se, igualmente, a aproximar a FAO dos seus Estados-membros. Para isso, pretende capacitar os escritórios regionais, sub-regionais e nacionais com autonomia, pessoal qualificado e recursos necessários para resolver os problemas localmente, enquanto a sede, em Roma, assegurará o suporte científico, normativo e institucional de que essas estruturas necessitam.
Inspirada em Njinga Mbandi
Josefa Leonel Correia Sacko disse inspirar-se nas mulheres africanas que mudaram o curso da história, desde a Rainha Njinga Mbandi até Wangari Maathai, as quais, segundo frisou, demonstraram “que cuidar da terra é cuidar das pessoas”.
Quanto aos programas de trabalho, a candidata afirmou que todos passarão por uma avaliação de impacto focada na juventude, nas mulheres e nas competências do futuro. Além disso, as iniciativas contarão com um quadro público e transparente para a aferição dos resultados alcançados.
“Apresento-me perante vós como engenheira agrónoma, angolana, africana e mulher cuja trajectória foi moldada pelas realidades da produção. Ao longo da minha carreira, uma convicção permaneceu inalterada: as políticas só têm valor quando chegam aos agricultores, pescadores, pastores e às famílias que deles dependem”, disse a candidata ao dirigir-se aos presentes.
A candidata, que conta com o apoio da União Africana e do bloco regional da SADC, alertou que o mundo enfrenta uma contradição que pode ser evitada.
“Dispomos dos conhecimentos, da tecnologia e dos recursos necessários para acabar com a fome. No entanto, os choques climáticos, os conflitos, o custo incomportável de uma alimentação saudável, a degradação dos solos e dos recursos hídricos e o acesso desigual ao financiamento continuam a deixar demasiadas pessoas para trás”, disse.
“Peço a vossa confiança numa FAO renovada, mais próxima dos países, dotada de financiamento sustentável a longo prazo e capaz de assegurar uma melhor produção, uma melhor nutrição, um ambiente melhor e uma vida melhor para todos”, exortou a diplomata angolana em representação de África.




