Especialistas afastam impacto imediato do petróleo venezuelano na produção angolana

GEOPOLÍTICA. Situação na Venezuela exige cálculos nos países produtores de petróleo, considerando a condição de detentor da maior reserva petrolífera mundial. Diferença da qualidade do petróleo é apontada como uma das situações que joga a favor de Angola.
Após a operação realizada na madrugada de 3 de Janeiro pela Força Delta do Exército dos Estados Unidos, que resultou no rapto do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e da sua esposa, especialistas analisam os possíveis efeitos desta intervenção para países produtores de petróleo, em particular no que diz respeito à eventual revitalização do sector petrolífero venezuelano — o país com as maiores reservas comprovadas de crude no mundo. Apesar da forte dependência de Angola em relação ao petróleo, não se antecipam repercussões imediatas. Pelo menos é essa a leitura de António Vieira, especialista em petróleos, para quem os riscos para Angola são limitados no curto prazo.
“O petróleo venezuelano é, na sua maioria, pesado e as refinarias capazes de o processar são poucas. Mesmo que haja um aumento da produção, isso levará muito tempo e não causará consequências imediatas”, explicou. O antigo director da Cobalt Angola afasta também uma entrada rápida de empresas norte-americanas no mercado venezuelano, sublinhando que “nenhuma empresa americana tem o espírito aventureiro da política Trump/Rubio”. Segundo Vieira, estas companhias só avançariam após um processo rigoroso de due diligence, aquisição formal de direitos sobre concessões e a eliminação de riscos de segurança, tanto físicos como financeiros.


