A gestão sustentável da água, a adaptação às alterações climáticas e a prevenção de conflitos ligados aos recursos naturais dominaram sexta-feira os debates num dos painéis da 4.ª edição da Bienal de Luanda – Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência.
O encontro reuniu governantes, especialistas e altos representantes de organizações internacionais e regionais.
Durante a sua intervenção, a ministra do Ambiente, Paula Chantre Luna de Carvalho, defendeu o reforço das políticas de mitigação e adaptação climática, com foco na gestão sustentável dos recursos hídricos, na redução das emissões de gases com efeito de estufa e na protecção das populações mais vulneráveis.
Para a governante, responder aos desafios climáticos exige uma intervenção coordenada entre os diferentes sectores do Estado e o envolvimento activo das comunidades.
O painel, subordinado ao tema “Água, Alterações Climáticas e Migração: Resiliência Climática, Adaptação, Gestão de Riscos Extremos e Nexo Água-Clima-Conflito em Relação à Migração e Deslocação Interna das Populações”, contou também com os contributos do conselheiro da União Africana para o Risco de Segurança Climática na Bacia do Lago Chade.
Por sua vez, Yohannes Negussie, especialista ligado ao Instituto da UNESCO para a Água e alto representante para a área hídrica, defendeu a adopção de soluções baseadas na natureza para optimizar a gestão dos recursos, restaurar ecossistemas e reforçar a resiliência em África.
O especialista abordou ainda a interligação entre as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a poluição, elementos interdependentes que constituem a chamada tripla crise planetária.
Na sua perspetiva, estes três factores operam em efeito cascata, onde a degradação de um acelera a gravidade dos outros, ameaçando diretamente a segurança alimentar, a saúde pública e a sustentabilidade económica das nações africanas que dependem criticamente dos seus recursos naturais.




