Académicos e especialistas angolanos em Relações Internacionais são unânimes quanto ao impacto positivo da Declaração Conjunta de Luanda sobre a Economia Azul no futuro da governação dos recursos aquáticos no continente.
O documento, resultante da 3.ª Edição da Semana Africana da Economia Azul 2026, foi apontado como um marco crucial para os processos de desenvolvimento sustentável e integração dos Estados africanos. Em declarações ao Jornal de Angola, a propósito do documento divulgado na sessão de encerramento do encontro anual, o especialista em Relações Internacionais Délcio Rodrigues afirmou que a União Africana assume um papel estratégico na harmonização dos quadros regulatórios entre as Comunidades Económicas Regionais. Para o analista, “o documento assinala uma transição epistemológica e operacional decisiva na governação das águas continentais e marítimas em África, ao promover a passagem de uma visão eminentemente extractivista e sectorial para um modelo integrado”. Visão estratégica globalDélcio Rodrigues considerou que o texto representa uma visão de longo prazo para o posicionamento do continente africano no contexto internacional. “Mais do que um compromisso político, este documento reflecte uma visão estratégica para posicionar África como um actor relevante na governação global dos recursos marítimos”, sublinhou. O especialista defendeu ainda que a Declaração de Luanda demonstra que a soberania nacional é perfeitamente compatível com a cooperação regional. Pelo contrário, a gestão conjunta de bacias hidrográficas e águas partilhadas fortalece a estabilidade política, a confiança mútua e a integração económica entre os países africanos. Contexto nacionalAo abordar o contexto nacional, o especialista em Relações Internacionais Afonso Sabuca afirmou que “a Economia Azul pode desempenhar um papel fundamental na diversificação da economia angolana, através do desenvolvimento de sectores não petrolíferos ligados ao mar”. Segundo o académico, estas áreas podem gerar novas fontes de receitas, criar empregos e impulsionar as exportações, contribuindo directamente para reduzir a vulnerabilidade da economia nacional face às oscilações dos preços internacionais do petróleo. Afonso Sabuca destacou, igualmente, que a cooperação internacional é capaz de fortalecer a Economia Azul por meio da transferência de tecnologia, do financiamento de projectos, da formação de recursos humanos, da investigação científica e da partilha de boas práticas de gestão sustentável dos recursos marinhos. No quadro da estratégia nacional, o especialista sublinhou que Angola procura transformar o seu potencial marítimo em valor económico sustentável, focando-se no desenvolvimento da pesca, aquicultura, turismo, logística portuária, transportes marítimos e ciência.




