Investimentos hídricos abrem perspectivas para ampliar áreas irrigáveis, reforçar a produção agropecuária e melhorar o abastecimento de água às populações do Cunene, da Huíla e do Namibe.
O Executivo angolano está a apostar na construção de barragens, canais adutores e bacias de retenção para transformar o combate à seca no sul do país numa estratégia de segurança hídrica e desenvolvimento económico, com prioridade para a agricultura, a pecuária e o abastecimento das comunidades.
A informação foi avançada esta segunda-feira pelo ministro da Agricultura e Florestas, Isaac Francisco Maria dos Anjos, durante a abertura do ano agrícola, na província do Cunene, onde destacou os investimentos em curso para reduzir a vulnerabilidade das populações aos ciclos de seca e criar condições para o aumento da produção agropecuária.
Segundo o governante, a estratégia procura substituir as respostas de emergência por soluções estruturais, através de infra-estruturas capazes de assegurar maior disponibilidade de água para consumo humano, abeberamento do gado e irrigação de terrenos agrícolas.
Entre os projectos destacados estão as barragens do Calucuve e do Ndué, inauguradas a 5 de Setembro, no Cunene. A primeira tem capacidade para armazenar 100 milhões de metros cúbicos de água e integra um canal adutor de 111 quilómetros, 22 bacias de retenção e condições para beneficiar cerca de 81 mil habitantes, assegurar água para 182 mil cabeças de gado e disponibilizar 2.600 hectares para irrigação.
A barragem do Ndué, por sua vez, tem capacidade de armazenamento de 145 milhões de metros cúbicos e está associada a um canal adutor de 75 quilómetros e 11 bacias de retenção. O sistema deverá beneficiar aproximadamente 55 mil habitantes e assegurar o abeberamento de 60 mil cabeças de gado.
O ministro destacou igualmente o sistema de transferência de água do Cafu, que inclui um canal inicial de 100 quilómetros e uma variante de 60 quilómetros, apoiados por 55 bacias de retenção. De acordo com os dados apresentados no discurso, o conjunto das infra-estruturas coloca à disposição do país cerca de 160 mil hectares de terras potencialmente irrigáveis.
Na margem direita do rio Cunene, o projecto da barragem de Hita Hita, com capacidade de armazenamento de 25 milhões de metros cúbicos, prevê a reabilitação de nove represas no município da Cahama e o abastecimento de água às localidades da Cahama e de Otchinjau.
A infra-estrutura está igualmente associada à criação de novas áreas de irrigação, embora o número de hectares referido no discurso careça de confirmação, uma vez que a transcrição apresenta uma indicação numérica ambígua.
Outro projecto destacado é o de Calueque, cuja conclusão continua prevista no conjunto das infra-estruturas hídricas do Cunene. Segundo Isaac dos Anjos, a iniciativa poderá viabilizar até 120 mil hectares de terras irrigáveis, reforçando o potencial agrícola da região.
O governante sublinhou que a concretização destes investimentos deverá contribuir para reduzir os efeitos da seca, melhorar as condições de criação de gado e criar oportunidades para aumentar a produção alimentar, num contexto em que a disponibilidade de água permanece determinante para a actividade económica das comunidades do sul do país.
No discurso, Isaac dos Anjos recordou que Angola realizou, entre 2 e 6 de Outubro de 1990, o Fórum Nacional sobre a Seca e a Desertificação, na sequência de um período prolongado de estiagem que afectou sobretudo as regiões Centro e Sul do país.
O ministro evocou também a deslocação do Presidente da República, João Lourenço, ao Cunene, em 2017, quando o chefe de Estado tomou contacto com as dificuldades enfrentadas pelas populações na procura de água para consumo e para o abeberamento dos animais.
A experiência, segundo o governante, contribuiu para reforçar a necessidade de uma abordagem estruturada ao fenómeno, tendo em conta o carácter cíclico da seca e os elevados custos humanos e económicos associados à escassez de água.
Isaac dos Anjos enquadrou os investimentos hídricos na estratégia de desenvolvimento do sul de Angola, defendendo a continuidade dos projectos destinados a melhorar o acesso à água e a criar condições para uma utilização mais produtiva dos recursos disponíveis.
A aposta do Executivo passa, assim, por transformar as infra-estruturas hídricas em instrumentos de segurança alimentar, desenvolvimento agrícola e melhoria das condições de vida das populações do Cunene, da Huíla e do Namibe.




