A FNLA prepara o VI Congresso Ordinário num ambiente marcado por divergências internas, com os candidatos à liderança a intensificarem a “caça ao voto” junto da militância, enquanto a comissão preparatória ligada à direcção do partido prossegue com a realização de assembleias electivas para a escolha dos delegados ao congresso.
Os candidatos à presidência da FNLA afectos à comissão preparatória integrada por membros do Comité Central estão a mobilizar apoios nas diferentes províncias do país, numa disputa que deverá definir a futura liderança do partido.
Carlitos Roberto, que já esteve nas províncias do Zaire e de Malanje, prepara-se agora para levar a sua campanha ao Cuanza-Norte e a Luanda. O candidato apresenta como principais bandeiras da sua candidatura a unificação, o rejuvenescimento do partido e o reforço da mobilização política.
“Depois destas províncias, nós vamos estar no Cuanza-Norte, Luanda e depois vamos nas províncias da zona sul do país”, afirmou Carlitos Roberto, reiterando que pretende trabalhar para a unificação da FNLA.
Fernando Pedro Gomes anunciou, por sua vez, a abertura da campanha para esta quinta-feira, 10, em Luanda, justificando a escolha pelo peso da província na composição do congresso e pelas limitações financeiras para uma campanha nacional.
“Nós vamos abrir a campanha aqui em Luanda, devido à sua influência estratégica neste congresso, mas também há questões financeiras que nos condicionam neste processo de caça ao voto nas restantes províncias, mas vamos fazer na medida do possível”, explicou.
Já Kiaku Samuel Kiala prevê iniciar a campanha nos próximos dias, na província do Uíge, onde nasceu. O candidato diz apresentar-se como uma opção de unificação e de renovação da FNLA.
“Vamos anunciar as nossas linhas de força em conferência de imprensa, e a nossa campanha será aberta no Uíge por ser nato daquela região”, afirmou.
O Correio da Kianda tentou ouvir os outros dois candidatos à presidência da FNLA, Daniel Afonso e Sofia Rodrigues Coelho, mas não foi possível obter as suas reacções.
Enquanto os candidatos procuram conquistar o apoio dos militantes, a comissão preparatória ligada à direcção do partido mantém as acções destinadas à organização do VI Congresso Ordinário, com a realização de assembleias electivas em 11 províncias.
As assembleias têm como finalidade eleger os delegados que vão representar as diferentes estruturas no congresso, numa fase considerada determinante para a composição do órgão que terá a responsabilidade de escolher a nova liderança da FNLA.
Em Malanje, a delegação responsável pelo processo foi chefiada pelo dirigente Lino Ucaca, que acompanhou a eleição de oito delegados.
Na ocasião, Lino Ucaca defendeu que honrar a missão deixada pelo líder fundador da FNLA exige determinação, espírito de militância e responsabilidade.
A realização das assembleias e, em paralelo, a movimentação dos candidatos evidenciam a disputa interna que antecede o VI Congresso Ordinário, num momento em que diferentes sectores procuram consolidar posições e garantir apoios entre os militantes e futuros delegados.
As divergências internas ocorrem numa altura em que outras forças políticas já começam a definir estratégias tendo em vista as eleições gerais de 2027, colocando sobre a FNLA o desafio de ultrapassar as suas divisões e reorganizar as estruturas para enfrentar o próximo ciclo eleitoral.
Com a aproximação do congresso, a disputa pela liderança deverá ganhar maior intensidade, enquanto a direcção mantém o processo de eleição dos delegados que vão participar no conclave.



