A Fundação Jonas Malheiro Savimbi realizou, no dia 31.10, uma palestra dedicada à vida, obra e dimensão intelectual do fundador da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), com destaque para o seu contributo na luta de libertação nacional.
Por Laplaine Brito
Durante o encontro, Isaías Samakuva foi o primeiro a intervir, tendo abordado o percurso histórico e político de Jonas Malheiro Savimbi, destacando o seu empenho na valorização da identidade cultural e das origens dos angolanos.
Segundo Samakuva, compreender o percurso de Savimbi é também conhecer os momentos que marcaram a contestação ao regime colonial português. Na sua perspectiva, o fundador da UNITA compreendeu que a liberdade não seria concedida, mas conquistada.
O antigo líder da UNITA salientou ainda que o nacionalismo de Savimbi não se limitava à dimensão militar, uma vez que este considerava a guerra um instrumento para alcançar a paz.
Samakuva destacou igualmente o envolvimento de Savimbi em momentos importantes da diplomacia angolana, sobretudo durante o processo de transição para a independência, com referência aos Acordos de Alvor e, posteriormente, aos Acordos de Bicesse, que, segundo afirmou, demonstraram a sua capacidade de diálogo e negociação política. Lamentavelmente “esqueceu-se” do Acordo de Alto Kauango (MPLA/UNITA), mediado por William Tonet.
Ao abordar a visão de independência defendida por Jonas Savimbi, Samakuva considerou que esta ia muito além da conquista de uma bandeira, de um hino nacional ou da constituição de um Governo formado por cidadãos angolanos.
“A verdadeira independência deveria assentar em princípios como a justiça social, a inclusão e a autonomia económica, de modo a garantir melhores condições de vida para todos os cidadãos”, contou.
Samakuva defendeu que uma nação não pode considerar-se verdadeiramente livre enquanto persistirem profundas desigualdades sociais e económicas, sublinhando que a riqueza nacional deve contribuir para a dignidade de todos, e não apenas de uma minoria.
Por sua vez, Manuel Savinhemba, também presente na palestra, destacou o papel de Jonas Savimbi na defesa da valorização dos angolanos e na inclusão dos cidadãos que, ao longo da história, foram vítimas de discriminação e marginalização.
Na ocasião, Manuel Savinhemba recordou o lema associado ao fundador da UNITA: “Primeiro o angolano, segundo, terceiro e quarto, angolano sempre”, considerando importante que a história e o pensamento de Savimbi sejam transmitidos às novas gerações.
Manuel Savinhemba explicou também que a divulgação do percurso histórico do fundador da UNITA “deve continuar a merecer atenção, de modo a preservar a sua memória e permitir que as novas gerações conheçam o seu contributo para a história política de Angola”.




