O especialista em resolução de conflitos, Luís Jimbo, considera que o gesto do Presidente da República, João Lourenço, ao colocar o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, num lugar de destaque durante a inauguração do Memorial em Homenagem às Vítimas dos Conflitos Políticos, simboliza o respeito pela diferença política e constitui um sinal importante para a reconciliação nacional.
Segundo o analista, a posição atribuída ao líder da oposição durante a cerimónia, realizada esta quarta-feira, 14 , na Marginal de Luanda, demonstrou respeito pelas instituições político-partidárias e pela figura do maior partido da oposição.
Luís Jimbo destacou que Adalberto Costa Júnior ficou imediatamente a seguir aos representantes dos órgãos de soberania, nomeadamente o Presidente da República, os tribunais e a Assembleia Nacional, considerando que a atitude de João Lourenço ultrapassou a dimensão protocolar.
Para o especialista, ao adoptar esta postura, o Chefe de Estado transmitiu uma mensagem de aproximação entre os angolanos, independentemente das suas posições políticas, mostrando que a reconciliação nacional exige respeito mútuo e reconhecimento das diferenças.
Luís Jimbo entende que a presença de Adalberto Costa Júnior na inauguração do Memorial representa igualmente um passo importante para o fortalecimento da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP) e para a consolidação do processo de reconciliação nacional.
O especialista sublinhou que, para além da homenagem aos cidadãos que perderam a vida durante os conflitos políticos, o Memorial representa uma oportunidade para devolver dignidade às famílias, através do reconhecimento do Estado e da realização de funerais condignos.
Neste contexto, apelou às famílias que ainda aguardam pela identificação e entrega dos restos mortais dos seus entes queridos para que se aproximem da CIVICOP e colaborem com a disponibilização de amostras biológicas para a extracção de ADN.
Segundo Luís Jimbo, este procedimento poderá permitir a identificação dos restos mortais, a realização de funerais condignos, a atribuição de certificados de óbito e a existência de campas onde as famílias possam prestar homenagem aos seus familiares.
O analista considera que a reconciliação nacional não deve limitar-se aos gestos institucionais, devendo também traduzir-se em respostas concretas às famílias afectadas pelos conflitos políticos.
Para Luís Jimbo, o Memorial constitui um símbolo nacional, mas representa, para cada família afectada, uma oportunidade de reconhecimento, dignificação e início de um processo de cura das feridas deixadas pelo passado.
A inauguração do Memorial em Homenagem às Vítimas dos Conflitos Políticos foi realizada nesta quarta-feira, em Luanda, pelo Presidente da República, João Lourenço, e contou com a presença de representantes de diferentes instituições do Estado e forças políticas, incluindo o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior.




