O Governo da província do Cunene denuncia o aliciamento de crianças e adolescentes angolanos para trabalhar em fazendas no norte da Namíbia e defende o reforço da fiscalização nas zonas fronteiriças para travar o fenómeno.
O alerta foi feito pela governadora do Cunene, Gerdina Didalelwa, que considera preocupante a utilização de menores angolanos em actividades agrícolas no país vizinho.
Segundo a governante, as redes de aliciamento aproveitam-se da vulnerabilidade económica de famílias que vivem nas comunidades próximas da fronteira para atrair crianças e adolescentes para trabalhos agrícolas na Namíbia.
Gerdina Didalelwa chamou igualmente a atenção para a presença de crianças angolanas a deambular pelas ruas de algumas cidades namibianas. A governadora esclareceu, contudo, que nem todos os menores encontrados nessas condições são provenientes do Cunene.
“Há um fenómeno novo nestes últimos dois anos, de crianças a deambular nas ruas da Namíbia. Mas é preciso esclarecer que estas crianças são provenientes de outras províncias, como da Huíla, e fica-se com a impressão de que são do Cunene, porque estamos na fronteira”, explicou.
A governadora defendeu maior controlo nas fronteiras e o reforço das campanhas de sensibilização junto das comunidades, sobretudo para alertar as famílias sobre os riscos associados ao aliciamento de menores.
Para Gerdina Didalelwa, a prioridade deve ser garantir a protecção das crianças, impedir a exploração laboral e assegurar que permaneçam no sistema de ensino.
O fenómeno preocupa as autoridades do Cunene devido à extensa fronteira com a Namíbia e à vulnerabilidade de algumas comunidades fronteiriças, que pode facilitar a circulação e o recrutamento ilegal de menores para actividades laborais no país vizinho.



