Luanda – O Presidente da República, João Lourenço, disse, esta terça-feira, em Luanda, que Angola está a aposta no potencial turístico das áreas transfronteiriças de conservação do Okavango-Zambeze (KAZA) e da Comissão Permanente das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Okavango.
João Lourenço, que falava depois de uma reunião com o seu homólogo do Botswana, Duma Gideon Boko, afirmou que os dois países integram a iniciativa regional da Área Transfronteiriça de Conservação do Okavango-Zambeze, e Angola deve ratificar o tratado, que pode representar o início do fortalecimento das relações no turismo.
“Diligências neste sentido estão em curso e esperamos obter bons resultados a breve trecho”, afirmou o estadista angolano.
Reconheceu ser enorme o potencial turístico do Okavango, região que adquiriu uma importância ainda maior, desde que foi proclamada Património Mundial pela UNESCO, estatuto que deve ser preservado no quadro de uma acção conjunta entre os dois Estados.
Acrescentou que tudo está a ser feito para potenciar a província do Cuando, como núcleo principal do ecoturismo angolano, parte integrante do projecto turístico KAZA, interligando o país às principais zonas turísticas do Botswana e demais Estados-membros.
Para o efeito, destacou a realização, em Angola, do primeiro Fórum da Região Angolana do Okavango, na sequência do qual estão em construção os primeiros alojamentos turísticos da componente angolana do Okavango.
De recordar que o Presidente do Botswana, Duma Gideon Boko, encontra-se desde segunda-feira em Luanda, para uma visita de Estado de três dias, no quadro do reforço da cooperação entre os dois países.
As duas partes identificaram áreas de interesse comum nos sectores da mineração, agricultura e saúde, com particular atenção para projectos que possam mobilizar o sector privado e gerar benefícios económicos mútuos.
No domínio energético, o Botswana está interessado em integrar a estrutura accionista da futura Refinaria do Lobito, projecto avaliado em mais de seis mil milhões de dólares.
Outro sector é o aprofundamento da cooperação no domínio dos diamantes, com destaque para a exploração, lapidação, transformação e comercialização, à luz do Acordo de Luanda, assinado em Junho de 2025.
Duma Boko defende eliminação de barreiras ao comércio com Angola
Por seu lado, o Presidente do Botswana, Duma Gideon Boko, defendeu a eliminação de barreiras e a criação de canais que permitam o livre fluxo de negócios e comércio entre os dois países.
Ao intervir na abertura do primeiro Fórum Empresarial Angola-Botswana, considerou que a livre circulação de bens, serviços e investimentos poderá contribuir para o crescimento das economias dos dois países.
Duma Gideon Boko exortou os empresários e investidores para desenvolverem negócios de forma responsável, contribuindo para o bem-estar das populações e para o desenvolvimento do continente africano.
O Presidente do Botswana reafirmou a disponibilidade do seu país para estabelecer parcerias com Angola, e destacou a vontade de investir, inovar, construir e transformar.
O estadista tswanês identificou o sector mineiro como uma das áreas com elevado potencial de cooperação entre os dois países, defendendo maior aposta na formação de capital humano para a extracção, transformação e produção local de bens acabados.
Considerou igualmente necessário reforçar a conectividade entre os países africanos, de modo a facilitar o movimento de pessoas, bens e serviços.
No domínio energético, Duma Gideon Boko defendeu investimentos em infra-estruturas de transmissão e interconectores, considerando que o desafio do continente não está apenas na geração de energia, mas também na sua transmissão.
Propôs, neste sentido, a criação de uma plataforma de comércio de energia e a harmonização de procedimentos entre os países para facilitar o intercâmbio transfronteiriço.
O Presidente do Botswana reafirmou, por último, o interesse em aprofundar a cooperação com Angola nos domínios da agricultura e outros sectores estratégicos.



