O secretário de Estado para a Defesa Nacional defendeu, ontem, em Luanda, a formação contínua dos quadros como condição essencial para enfrentar os desafios multidimensionais.
Domingos André Tchikanha afirmou que os desafios contemporâneos do sector não podem ser compreendidos sob uma perspectiva estritamente militar ou administrativa.
Segundo o governante, a realidade actual exige uma sólida articulação interinstitucional entre a política de defesa, segurança nacional, economia, diplomacia, tecnologia, informação, recursos humanos, finanças, infra-estrutura e governação.
A declaração foi feita durante a abertura do seminário sobre “Governação Estratégica de Recursos Humanos (Civis e Militares)”.
O evento marca o reinício do ciclo de capacitação institucional direccionado a directores nacionais e equiparados, após um longo período de interrupção.
Realizado sob a orientação do ministro da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, o encontro visa promover uma administração da Defesa mais integrada, profissional, antecipatória e orientada para a tomada de decisões estratégicas.
Na ocasião, Domingos André Tchikanha sublinhou que cada director nacional deve acumular, simultaneamente, os papéis de gestor, formulador de políticas, conselheiro e pensador estratégico na sua área de responsabilidade.
“Precisamos de dirigentes capazes de pensar juntos, mesmo quando partem de perspectivas diferentes, para que o Ministério da Defesa possa decidir melhor”, defendeu.
Por essa razão, o secretário de Estado sustentou que os seminários devem consolidar-se como um verdadeiro ciclo interno de pensamento estratégico. “Devemos debater os problemas do Ministério, confrontar ideias, identificar vulnerabilidades, harmonizar entendimentos, antecipar cenários e produzir soluções”, destacou, apelando à realização de análises focadas empiricamente em resultados.
O governante realçou ainda o papel central do Instituto de Defesa Nacional (IDN) neste processo. Como um dos principais pólos de produção e sistematização de pensamento estratégico do sector, o IDN coloca conhecimento científico, métodos rigorosos e perspectivas abrangentes ao serviço da decisão política e militar.“O verdadeiro resultado da formação está naquilo que conseguimos transformar na forma como pensamos, planeamos, coordenamos e dirigimos o Ministério”, concluiu Tchikanha, expressando a expectativa de que o ciclo contribua para a construção de uma linguagem estratégica comum, de uma visão institucional partilhada e de uma maior capacidade de antecipação face aos desafios do país.
Pensamento estratégico
O diretor-geral do Instituto de Defesa Nacional (IDN), Hélder Cafala, afirmou que a iniciativa não constitui um conjunto convencional de acções de formação, mas o arranque de um ciclo de pensamento estratégico interno do próprio Ministério.
Hélder Alexandre Cafala salientou que o programa resulta de uma responsabilidade institucional partilhada. “À Direção Nacional de Recursos Humanos cabe a política de gestão, valorização, formação e desenvolvimento dos recursos humanos do sector da Defesa”, disse.
Nesta linha de orientação, continuou, compete ao IDN assegurar a componente metodológica, científica e estratégica, bem como acolher e dinamizar as sessões. “Estamos perante uma iniciativa que une duas funções essenciais: a gestão estratégica de pessoas e a produção integrada do conhecimento”, declarou Hélder Cafala.
O responsável explicou que a metodologia orientadora será a andragógica estratégica do Estado. Isso significa, disse Hélder Cafala, a ausência de uma relação tradicional entre quem ensina e quem aprende.
Dessa forma, dirigentes e especialistas partilharão conhecimentos, confrontarão experiências e construirão entendimentos comuns por meio da análise crítica de problemas e soluções. Os formadores serão, sempre que adequado, os próprios directores nacionais e responsáveis das áreas especializadas, além de especialistas convidados com domínio comprovado das matérias, referiu.
“O Ministério possui, no seu seio, uma enorme massa crítica. Precisamos apenas de criar os espaços adequados para que esse conhecimento circule”, enfatizou Hélder Cafala. Na ocasião, revelou ainda que a data marca o lançamento de duas grandes iniciativas estratégicas no IDN: o ciclo de seminários e o estudo prospectivo sobre o Ecossistema Religioso 2040.




