O activista e analista político Mbanza Hanza considera que a candidatura de Higino Carneiro à liderança do MPLA está associada à intenção de defender interesses de determinados grupos dentro do partido, numa disputa que, no seu entender, pode alimentar um ciclo de vinganças e contra-vinganças na política angolana.
Durante a edição deste domingo, 25, do programa Círculo da Kianda da Rádio Correio da Kianda, Mbanza Hanza manifestou preocupação com as possíveis consequências de uma luta pelo poder marcada por ressentimentos e interesses políticos, advertindo que o país não deve transformar-se num espaço de retaliações.
“Não podemos transformar este país num espaço de vingança e contra-vinganças”, declarou.
Na análise que faz das motivações de Higino Carneiro, o activista entende que o antigo governante pretende assumir o poder para corrigir aquilo que considera serem desvios na actual condução do país e abrir espaço a sectores que, na sua perspectiva, perderam influência.
Mbanza Hanza relaciona essa leitura com os efeitos da política de combate à corrupção, considerando que as consequências das investigações e dos processos atingem pessoas e interesses identificáveis. Na sua interpretação, essa realidade pode alimentar percepções de tratamento desigual e reforçar disputas sobre a permanência ou o afastamento de determinados grupos do espaço político.
Ao explicar a lógica que atribui à candidatura, o analista recorreu a uma expressão coloquial para ilustrar a ideia de mudança de rumo e de recuperação de espaço político por parte de sectores que se consideram prejudicados.
“Você nos fatigou… vamos assumir isso e vamos voltar tudo nos eixos em que devia estar. O mais velho nos deixou assim nesse caminho. E você veio e desviou”, afirmou, reproduzindo aquilo que entende ser a lógica subjacente a essa disputa.
As declarações surgem num momento de tensão em torno da sucessão na liderança do MPLA, depois de o Comité Central ter mantido a nulidade da candidatura de Higino Carneiro e decidido instaurar-lhe um processo disciplinar, na reunião de 21 de Outubro.
A leitura de Mbanza Hanza centra-se, assim, nos interesses e nas motivações que, na sua avaliação, podem estar por detrás da disputa interna, alertando para o risco de a luta pela liderança ultrapassar a competição política e resvalar para uma lógica de retaliação.




