O futuro Hospital Oncológico de Luanda poderá estar concluído entre Junho e Julho de 2027, caso se mantenha o actual ritmo de execução das obras, garantiu, esta sexta-feira, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.
A governante falava à imprensa depois de uma visita de constatação do Presidente da República, João Lourenço, ao empreendimento, integrado no Complexo Hospitalar de Doenças Cardiopulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, em Luanda.
A governante explicou que está a ser feita uma supervisão apertada dos trabalhos, acompanhada do reforço do número de trabalhadores e de técnicos especializados da empresa de construção, com vista a assegurar o cumprimento do prazo previsto.
A futura unidade hospitalar terá uma capacidade de 149 camas e contará com serviços diferenciados para o diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas, incluindo uma área de Medicina Nuclear, radioterapia de alta complexidade e um equipamento de radioterapia acoplado a uma ressonância magnética.
O hospital vai dispor igualmente de laboratório para análises de rotina, bacteriologia, genética, anatomia patológica, blocos operatórios e uma sala dedicada à cirurgia robótica, uma modalidade de cirurgia minimamente invasiva.
Segundo Sílvia Lutucuta, a criação desta unidade responde à necessidade de reforçar a capacidade nacional de assistência aos doentes oncológicos, tendo em conta que o cancro continua entre as principais causas de evacuação de pacientes para o exterior do país e de mortalidade em Angola.
Entre os tipos de cancro com maior incidência no país, a ministra apontou o cancro da mama, seguido do cancro do colo do útero e do cancro da próstata, além de outras doenças oncológicas que afectam crianças e de doenças hematológicas.
“Há muito precisamos desta unidade com cuidados diferenciados”, afirmou a ministra, acrescentando que a chegada tardia dos doentes aos serviços de saúde constitui uma das principais dificuldades no tratamento do cancro, por resultar, em muitos casos, em diagnósticos já associados a prognósticos desfavoráveis.
A governante defendeu, por isso, o reforço das acções de promoção da saúde e a realização regular de rastreios, tendo destacado que o diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de obtenção de melhores resultados no tratamento.
Para a ministra da Saúde, a entrada em funcionamento do Hospital Oncológico deverá contribuir igualmente para a redução das evacuações de doentes para o exterior e dos custos associados ao tratamento fora do país.
Sílvia Lutucuta estimou que Angola poderá poupar milhões de dólares com a redução das evacuações e, sobretudo, melhorar os resultados clínicos através do acesso atempado a cuidados especializados.
“Como digo sempre, a vida humana não tem preço e é um grande investimento”, afirmou, defendendo que o reforço da assistência oncológica permitirá reduzir o sofrimento e o luto no seio das famílias angolanas.
Para assegurar o funcionamento da futura unidade, o Ministério da Saúde tem em curso um programa de formação e especialização de profissionais, com recurso a instituições nacionais e estrangeiras.
De acordo com Sílvia Lutucuta, existem já profissionais em formação em Portugal, no Brasil e na Índia, enquanto outros quadros estão a ser preparados no país, incluindo especialistas necessários para áreas como a Física Nuclear.
A ministra referiu ainda que estão a ser aproveitados quadros de outras especialidades e realizadas novas admissões, sendo que, em vários casos, a formação terá início em Angola e concluída no exterior.
A futura unidade contará também com 28 alojamentos destinados a estudantes e profissionais em formação, incluindo quadros provenientes de outras províncias que realizem rotações ou especializações em Oncologia.




